terça, 16 de julho de 2019

Roberto Cavalcanti
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Resgate histórico

10 de fevereiro de 2019
Quero mergulhar em 113 anos de história e parabenizar o grupo de abnegados que fundou, em 7 de setembro de 1905, o Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP), e também aos que aceitaram o desafio de mantê-lo vivo e atuante.

É a nossa mais antiga instituição cultural em funcionamento. Para situar melhor, quando foi criada, nossa capital ainda se chamava “Parahyba” e o estado, “Parahyba do Norte”.

No presente - 2019 -, contemplando seu funcionamento em sede própria, na tradicional Rua Barão de Abiaí, 64, após várias localizações provisórias ao longo dos seus anos, constatamos por que a instituição é motivo de orgulho para os paraibanos.

O IHGP foi criado como associação cultural de utilidade pública, sem fins lucrativos, com o objetivo de estudar e difundir conhecimentos sobre história, geografia e ciências afins, promover a cultura e defender nosso patrimônio histórico e artístico. Continua com o mesmo compromisso dos visionários fundadores.

Além da preciosidade do acervo como um todo - são milhares de títulos, entre livros, periódicos e folhetos -, temos que destacar que guarda várias obras raras, de autores nacionais e internacionais.

Sim, o IHGP tem livros únicos no mundo. Já imaginou o valor disso? São preciosidades.

Para a Paraíba, é de valor inestimável. Abriga as coleções de todos os jornais que já circularam em nosso Estado, que registram a nossa história com detalhes que permitem compreensão de causas e consequências. Estão extintos, mas preservados.

Com muita honra para nós, o IHGP guarda o Correio da Paraíba, que significa o presente.

Tem mais do que papel. Entre as raridades do seu museu está a mesa na qual estava sentado o presidente João Pessoa, na confeitaria Glória, no momento do seu assassinato. Ao lado da fotografia que mostra o paraibano em seu gabinete, estão expostas a mesa e sua cadeira de trabalho, medalhas e outras condecorações.

Eu considero preservar nossa história como missão nobre e de fundamental importância para definição de caminhos que nos conduzam a uma sociedade mais justa.

Não ter referências do passado é caminhar sem rumo para o futuro.

O momento presente já é passado no instante seguinte. A vida é uma sucessão de instantes. Se não armazenarmos esses instantes, perderemos as referências.

Essa consciência me leva a abraçar o movimento em prol da preservação da nossa história.

Quero conclamar o Estado e a sociedade para que, unidos por essa compreensão, possamos assegurar recursos visando a solidez de um orçamento que permita a plena manutenção desse Instituto que hoje é mantido pelo heroísmo de abnegados que integram seu quadro.

Custa nada ao Estado, à Prefeitura ou a um parlamentar (através de emendas a que tem direito no orçamento) garantirem recursos para que esse trabalho de imensurável valor possa continuar a ser feito e aperfeiçoado.

Temos tanto a conhecer, tanto a aprender, tanto do que nos orgulhar, tanto que pode nos inspirar... É importante conhecer o IHGP e nossa riquíssima memória ali preservada.

Temos que acordar enquanto é tempo, para evitar a destruição desses registros da nossa história.

Roberto Cavalcanti. Empresário e diretor da CNI

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