domingo, 18 de agosto de 2019

Roberto Cavalcanti
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Reservas

06 de janeiro de 2019
Sempre registrei mentalmente o termo “reservas” com bons olhos. Positivamente! Para mim, é sinônimo de prudência, cautela, moderação. É guardar, reservar, economizar. Um pouco da minha cara! É aquilo que se guarda, que se deixa reservado para outro momento, que se economiza para um instante posterior.

Pode ser associado ao organismo físico, reservas de energias, ou até ter um bom banco de reservas com ótimos atletas para, no momento, decisivo vencer uma partida. Comportamentalmente, pode ser também dirigido à pessoa de fino trato, recatada, uma pessoa cheia de reservas.

Pode ser, ainda, o valor que um país separa para o pagamento de suas dívidas.

É aí, exatamente, onde quero chegar afinal. Nas reservas cambiais brasileiras. Isto é, no valor que nosso país aloca para o pagamento das suas dívidas externas.

Como estamos em um momento de transição governamental, o tema é um dos “memes” do momento nas rodas econômicas.

O Brasil acumula hoje reservas cambiais acima dos 380 bilhões de dólares. Esse valor está acima ou abaixo de um nível prudencial?

São muitas as opiniões a esse respeito. Nossas reservas cambiais já constavam em quase todos os programas econômicos dos candidatos presidenciais. Muitos pretendiam usar estas reservas para reduzir a dívida pública.

Está na mesa uma série de opções e questionamentos. Para que servem as reservas? Qual o seu nível ideal? Quanto custa mantê-las? Se a opção for vendê-las, qual o momento oportuno?

Somos sabedores que a sua valia é um seguro em caso de crises eventuais que atentem quanto à estabilidade econômica do nosso país.

Um abalo de crédito, reduzindo o fluxo de capitais externos, poderia provocar algum desequilíbrio. Imaginem se este movimento estiver atrelado a alguma crise internacional como tantas outras que, no passado, nosso país foi vitimado. Vou além! Imaginem um ataque especulativo intencional, visando desequilibrar um governo recém-empossado.

Enchemos a boca de ufanismo patriótico de que temos 380 bilhões de dólares em reservas.

A mesma foi construída a partir de 2009, função de uma ação coincidente de ótimos preços de nossas commodities e com fluxos superpositivos de capitais investidos em nosso país.

É, sem dúvida, um valor significativo. Levou tempo e trabalho para acumularmos. Porém, nada representa em nível mundial. Somos frágeis para resistirmos aos ataques citados.

Temos a convicção de que manter nossas reservas constitui um seguro caro, porém, tem ele um valor matematicamente preciso, exato (é o custo relativo à diferença entre os juros brasileiros e os externos).

Vale lembrar que esta diferença que gerava um elevado custo tem caído nos últimos anos, graças, inclusive, à baixa dos percentuais da Selic.

A meu ver, o ponto mais importante da questão é o quando? Em que momento estaríamos seguros em reduzi-las. Jamais, como conduta pessoal, trocaria o certo pelo incerto.

Concordo que o Brasil mantém hoje, tecnicamente, reservas acima do que seria necessário. Nosso problema provém e permanece em função do desequilíbrio fiscal que gera um endividamento sem limites.

Temos que lutar por este equilíbrio através das reformas, destacando a previdenciária. É obrigatório ajustarmos nossas despesas da máquina pública. São, sem dúvida, pré-requisitos para pensarmos, a partir daí, em reduzir nossas reservas.

A preço de hoje, qualquer movimento nesse sentido abre um belo espaço para que analistas políticos/econômicos contrários ao novo governo se deliciem com suas previsões terroristas. Um prato feito para uma mídia aparelhada que, com viés ideológico, não pensa no bem do nosso país e sim nas bandeiras que defendem.

Neste campo, diferentemente de outras situações, o micro e o macro não se parecem. O cidadão não está diretamente exposto a ataques especulativos, uma nação sim! Sempre um país estará exposto. É a regra do jogo econômico mundial. Nas circunstâncias atuais, nem pensar.

Reservas cambiais são finitas, não podemos esquecer disso jamais.

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