domingo, 17 de fevereiro de 2019

Renato Félix
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Reflexões após as indicações

23 de janeiro de 2019
Nos últimos anos, a convocação de novos membros para a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas têm chamado a atenção por sua internacionalização e diversidade. É um esforço que vem sendo empreendido desde o ano do #OscarSoWhite, 2016, quando todos os candidatos nas categorias de interpretação eram brancos.

Bem, em termos de indicações e prêmios, tem, aos poucos, funcionado. Este ano algumas observações sobre os indicados são interessantes.

Por exemplo, melhor direção. Temos um mexicano, um grego e um polonês nos cinco indicados a melhor diretor. Apenas dois americanos. O mexicano Alfonso Cuarón (Roma) e o polonês Pawel Pawlikowski (Guerra Fria) podem já ter cravado um marco: a primeira vez que dois diretores comandando filmes em língua não inglesa são indicados no mesmo ano na categoria. Pelo menos de 1981 para cá (o alcance da minha pesquisa até agora), é a primeira vez.

Roma, em especial, se iguala a O Tigre e o Dragão, que, falado em mandarim e dirigido por Ang Lee, em 2001 cravou 10 indicações, incluindo melhor filme, filme de língua não inglesa (ganhou), direção e roteiro adaptado.

A barreira da língua sempre é colocada na mesa quando se pensa nas chances de Roma. Nesse cenário em que dois filmes em língua não inglesa beliscaram indicações a melhor direção, será que essa barreira ainda é tão grande?

Roma conseguiu, por exemplo, indicar suas duas atrizes: Yalitza Aparicio, principal, e Marina de Tavira, coadjuvante.

Elas não são cotadas como tendo chances reais, mas o simples fato de estarem indicadas (deixando de fora nomes como Emily Blunt e Claire Foy) mostra que essa barreira, pelo menos no caso de Roma, já foi maior.

Ajuda Roma o fato de que um grande concorrente ainda não apareceu. Alguns apontaram Green Book após a vitória no Producers Guild Awards. O filme tomou um banho de água fria com Peter Farrelly fora dos indicados a melhor direção. Pintou o vencedor?

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