domingo, 16 de junho de 2019

Lena Guimarães
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Reféns da violência

02 de abril de 2019
Está tão fácil agir na Paraíba que os bandidos estão dispensando a proteção da noite e assaltando em pleno dia, em local com cinco mil pessoas, como aconteceu, ontem, no campus da UEPB em Campina?

Sempre que o governo do Estado tenta convencer os paraibanos que a segurança melhorou, e para tanto apresenta estatísticas sobre homicídios, ocorre um fato que coloca o esforço por terra, que faz aumentar a percepção de que os criminosos estão ganhando essa guerra.

Infelizmente, a violência já não é causada apenas pelos marginais. A sociedade foi contaminada e alguns passaram a considerar atentados contra inocentes como resposta aceitável as agressões sofridas ou frustrações. O massacre na escola de Suzano (SP) é exemplo.

Ontem, o medo desses dois tipos de violência provocou desespero entre os que estavam na UEPB enquanto bandidos realizavam assalto a carro-forte. Em meio ao tiroteio, houve quem pulasse do primeiro andar para fugir do que também poderia ser ação de transtornados.

O professor Jurani Clementino, doutor em Ciências Sociais, fez relato para o site “ParaíbaOnline”, que nos transporta para o mesmo auditório onde estava quando tudo aconteceu, e o terror vivenciado.

“Os tiros não cessavam. Alunos se desesperavam. Passavam mal. Choravam. Eram consolados por outros visivelmente abalados. Apagamos as luzes. Mas imaginávamos a qualquer momento um louco adentrando por aquela porta e fuzilando aquele amontoado de gente.

Tratava-se de uma cena de terror que até então só víamos pela TV e ou pela internet. Do lado de fora, correria, gritos, desespero. Dentro da sala alguns alunos pediam socorro pelo telefone.

Com muita dificuldade conseguiram a chave e trancaram a porta de acesso ao auditório. As pessoas estavam desesperadas.

Uns dez, quinze minutos depois chegou um cidadão que se identificou como policial pelo lado de fora do auditório.

Estava à paisana e pediu que abríssemos o local. O pânico tomou conta de todo mundo. Ninguém tirava da cabeça que aquele homem que se dizia policial, era um maluco que ia matar a gente. Não abrimos”.

O professor conta que exigiram a presença de policial fardado e só então abriram a porta. E observa: “Há um clima horroroso de insegurança no ar. E isso é muito triste”. Impossível não concordar. E como ele, lamentar.

TORPEDO

"O mais triste é saber que são ações corriqueiras por falta de segurança. É preciso que o Governo do Estado adote um novo modelo de gestão para garantir a proteção da vida da população, pois sempre estamos reféns dos bandidos."

Do deputado Tovar Correia Lima (PSDB), sobre o assalto no campus da UEPB que deixou uma aluna e um segurança feridos a bala, em Campina.

Medo

A senadora Daniella Ribeiro (PP) cobrou providências ao Governo do Estado em relação à insegurança. “Não importa mais se estamos em casa, na calçada, na igreja ou na universidade, o clima de medo domina”.

Medo 2

Ainda Daniella: “Se a situação é crítica nas maiores cidades da Paraíba, no interior é o retrato do caos. Policiais se desdobram para cumprir plantões de forma desumana e garantir a segurança da população”.

Vigilante

O CRM não está dando trégua aos hospitais, sejam públicos ou filantrópicos, como o Laureano, onde aponta falta de medicamentos orais e intravenosos para quimioterapia, antibióticos e até insumos como luvas.

Bons e maus...

O presidente Arnóbio Viana informa que o TCE vai medir, pelo 4° ano consecutivo, a qualidade dos gastos e avaliar políticas e a efetividade das gestões dos 223 municípios paraibanos. Os bons prefeitos vão aparecer.

... gestores

Serão avaliados gastos e resultados obtidos na educação, saúde, gestão fiscal, planejamento, meio ambiente, cidades protegidas e governança em tecnologia da informação. A comparação mostrará quem é mau gestor.

Anexo

O presidente do TJPB, Márcio Murilo e o senador Veneziano Vital do Rego conversaram, ontem, sobre parceria para viabilizar a construção do anexo criminal do Fórum “Affonso Campos”, em Campina Grande.

ZIGUE-ZAGUE

< O presidente Jair Bolsonaro sinaliza que assumirá a articulação para aprovação da reforma da Previdência. Está agendando conversas com presidentes de partidos.

> Para quinta-feira já estão confirmados Ciro Nogueira (PP), Marcos Pereira (PRB), Gilberto Kassab (PSD), Romero Jucá (MDB) e ACM Neto (DEM).

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