sexta, 22 de fevereiro de 2019

Renato Félix
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Quem tem Roma vai ao Oscar?

09 de janeiro de 2019
Todo mundo gosta de Bohemian Rhapsody, mas não acho que ele seja bom a ponto de ser um melhor filme do ano. Ele ganhou o Globo de Ouro de filme dramático, mas não senti firmeza na caminhada rumo ao Oscar. Os prêmios das próximas semanas vão dizer que se aparece um ou dois favoritos, mas, por enquanto, a disputa parece totalmente aberta. O filme mais comentado como um nível acima em termos de qualidade, neste fim e começo de ano, é mesmo Roma, de Alfonso Cuarón. Será que ele tem chance?

Porque há grandes obstáculos: é falado em espanhol e é uma produção da Netflix, plataforma para qual podem haver narizes torcidos.

Mas uma combinação de fatores poderia fazer acontecer. Enquanto nenhum filme se destacou como um favorito; o hype em cima de Roma vem crescendo com sua inclusão em listas de melhores filmes do ano (muitas vezes em primeiro lugar). Isso pode o ter legitimado como um produto "de cinema" aos olhos dos votantes da Academia. O próprio Globo de Ouro, indeciso nas indicações (ele concorreu a direção e a filme estrangeiro, mas não a filme dramático), parece ter mudado a percepção: Roma ganhou não só ganhou como filme estrangeiro, mas também como direção. Qual o sentido do filme que teve a melhor direção não ser nem indicado a melhor filme?

Além disso, a Academia se tornou consideravelmente mais diversificada e global depois das últimas listas de convites. Aí, a importância do fator "língua" pode acabar sendo reduzido. Entre profissionais não americanos, o fato de ser falado em espanhol será um detalhe. E para os americanos, Cuarón já "é de casa", não um desconhecido estrangeiro.

E o formato da votação (aquelas listas de 10 e não votar só votar no melhor) favorece um filme de consenso, que pode ter menos primeiros lugares, mas mais segundos e terceiros. Quem sabe? O Artista ganhou um dia desses: mudo, francês e em preto-e-branco...

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