segunda, 14 de outubro de 2019

Roberto Cavalcanti
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Que bom que foi diferente 

28 de setembro de 2019
Perscruto minha memória e não consigo lembrar de nenhum outro Presidente do Brasil cujo discurso na Assembleia Geral da ONU tenha provocado a repercussão do de Jair Bolsonaro, tanto antes como depois de sua subida à tribuna, e para um auditório lotado e atento a sua mensagem.

Alguns, acostumados com discursos que mal conseguiam uma manchete no Brasil, avaliaram que ele foi agressivo e previram que sua fala deve impactar negativamente as exportações brasileiras, principalmente o agronegócio, pois teria ofendido nações poderosas como França e Alemanha.

Outros, que sempre torceram pela afirmação do Brasil, a 9ª economia do mundo entre 193 países reconhecidos pela ONU, consideraram o discurso como assertivo, próprio de “um estadista” e aplaudiram Jair Bolsonaro.

O que falou o Presidente para provocar tanta reverberação? Em soberania, democracia, liberdade, segurança, confiança, abertura econômica, socialismo e preservação da Amazônia.

Iniciou afirmando que, no seu governo, “o Brasil vem trabalhando para reconquistar a confiança do mundo, diminuindo o desemprego, a violência e o risco para os negócios, por meio da desburocratização, da desregulamentação e, em especial, pelo exemplo”.

Descreveu assim o Brasil que recebeu: “Meu país esteve muito próximo do socialismo, o que nos colocou numa situação de corrupção generalizada, grave recessão econômica, altas taxas de criminalidade e de ataques ininterruptos aos valores familiares e religiosos que formam nossas tradições”.

Para os que falam em retrocesso no país, um recado claro: “O Brasil reafirma seu compromisso intransigente com os mais altos padrões de direitos humanos, com a defesa da democracia e da liberdade  de expressão, religiosa e de imprensa. É um compromisso que caminha junto com o combate à corrupção e à criminalidade, demandas urgentes da sociedade brasileira”.

A parte da Amazônia foi a mais esperada e a mais afirmativa.

“Em primeiro lugar, meu governo tem um compromisso solene com a preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável em benefício do Brasil e do mundo. O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade e riquezas minerais. Nossa Amazônia é maior que toda a Europa Ocidental e permanece praticamente intocada. Prova de que somos um dos países que mais protegem o meio ambiente”.

Para os internacionalistas: “É uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a nossa floresta é o pulmão do mundo.”

Continuou: “Valendo-se dessas falácias, um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista. Questionaram aquilo que nos é mais sagrado: a nossa soberania!” Foi referência à França e Alemanha.

Outro recado: “O Brasil agora tem um presidente que se preocupa com aqueles que lá estavam antes da chegada dos portugueses. O índio não quer ser latifundiário pobre em cima de terras ricas. Especialmente das terras mais ricas do mundo. É o caso das reservas Ianomâmi e Raposa Serra do Sol. Nessas reservas, existe grande abundância de ouro, diamante, urânio, nióbio e terras raras, entre outros”.

Lição para os desinformados: “Esses territórios são enormes. A reserva Ianomâmi, sozinha, conta com aproximadamente 95 mil km2, o equivalente ao tamanho de Portugal ou da Hungria, embora apenas 15 mil índios vivam nessa área. Isso demonstra que os que nos atacam não estão preocupados com o ser humano índio, mas sim com as riquezas minerais e a biodiversidade existentes nessas áreas”.

Ele ainda convidou os líderes mundiais a visitarem o Brasil, principalmente as belezas da Amazônia, garantindo que é diferente do estampado em jornais e televisões.

Ah, antes de encerrar, registro que o presidente da Confederação Nacional da Agricultura, João Martins, elogiou o discurso e descartou que venha prejudicar exportações. Acha que deve acontecer o contrário.

Temos que lamentar que alguns brasileiros torçam contra o Brasil. É inadmissível - mesmo para os que têm interesses contrariados ou motivos ideológicos - ficar ao lado de europeus.

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