sábado, 17 de agosto de 2019

Renato Félix
Compartilhar:

Quando o ator é um spoiler

27 de junho de 2018
Em Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011), a versão de David Fincher, a trama gira em torno de um crime envolvendo uma poderosa família na Suécia. Na investigação para descobrir quem seria o criminoso, os protagonistas Mikael Blomkvist (Daniel Craig) e Lisbeth Salander (Rooney Mara) vão conhecendo os membros da família.

Para nós, público, nenhum dos atores que interpretam parentes são rostos muito familiares, com exceção de um: Stellan Skasgard, que interpreta um dos filhos. Não é difícil chegar à conclusão de que ele não está lá por acaso.

É um dos casos em que o ator é, ele mesmo, um spoiler. A escalação do elenco acaba denunciando que determinados personagens não são “mais um” ali. Que, embora o filme se esforce para mostrá-los como não tendo maior importância, fica evidente, com um ator famoso no papel, que algo acontecerá com ele mais cedo ou mais tarde no filme.

No mesmo Millennium, entre várias pessoas investigadas, aparece um outro rosto conhecido: o de Joely Richardson. E mais uma vez, sua breve participação não poderia ficar nisso. Mais tarde, no filme, efetivamente, uma revelação sobre sua personagem aparece.

A escalação do elenco, sobretudo em Hollywood, passa por isso. Não se coloca Meryl Streep em um filme impunemente. Algo é esperado de sua presença ali. Ela geralmente é importante desde o começo da trama, mas, se não for, vamos esperar que em algum momento o seja.

E é natural. Imagine o contrário. O filme termina e nada demais acontece com ela. Vamos pensar: chamaram a Meryl Streep só para isso?

Relacionadas