segunda, 11 de novembro de 2019

Lena Guimarães
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PSL à deriva

18 de outubro de 2019
Quando eu falo que os partidos políticos estão fadados a se auto implodir, há quem não acredite. A situação em que se encontra o PSL, legenda do presidente da República Jair Bolsonaro, vive um ‘racha’, que eu poderia até dizer #eujasabia, com jogadores kamikazes bem definidos a bem da verdade. Briga de cachorro grande, como diria “lá em ‘nóis’”.

Desde que vieram à tona as denúncias do uso de candidaturas laranja de mulheres, em Minas Gerais, cuja conta caiu no colo do atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, que o PSL é só ladeira abaixo. Primeiro, Jair Bolsonaro colocou em xeque a idoneidade da legenda, talvez tentando não ser engolido por esse buraco negro que se desenha. Tem cobrado incansavelmente transparência nas contas da legenda.

Depois, uma operação da Polícia Federal vasculhou a casa do presidente nacional do partido, deputado federal Luciano Bivar, em Pernambuco. O ‘bateu, levou’ nem demorou. O dirigente ‘respondeu’ dizendo que quer uma auditoria nas contas de campanha do presidente Jair Bolsonaro.

Logo em seguida, veio o episódio da Conferência de Ação Política Conservadora, projeto que me pareceu muito mais pessoal do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, mas que teria sido pago com recursos do fundo partidário, através do Instituto de Inovação e Governança do PSL. Alas ligadas a Luciano Bivar também querem uma auditoria sobre os gastos com o evento, estimados em R$ 850 mil.

Nos últimos dois dias, a tentativa de ‘golpe’ para ocupar a liderança do PSL na Câmara Federal transformou a legenda em um barco à deriva. Com direito a áudio vazado do presidente - a que ponto chegamos - e a discursos com palavras impublicáveis, na disputa entre o Delegado Waldir e Eduardo Bolsonaro, venceu o primeiro que já era líder. Próximo ano haverá nova eleição para definir novo líder.

O certo é que Bolsonaro, apesar de toda esses problemas, disse que deve sua eleição ao PSL. Deve sim, eu explico, apenas pelo fato de não havia uma legenda que quisesse acreditar que poderia dar certo. E Bolsonaro foi o responsável pelo crescimento da legenda, em relação a número de votos conquistados e parlamentares eleitos.

O PSL quebrou uma hegemonia de grandes partidos que chegaram ao Palácio do Planalto, mas não soube capitalizar em seu favor. Preferiu ficar a reboque e agora passa por um momento crítico. Nessa briga interna, quem vai pagar o pato mesmo é a legenda. Bolsonaro é presidente da República e continuará sendo em qualquer partido que o acolha. (Sony Lacerda)

TORPEDO

"Não nasci líder, não preciso disso. Trabalhei 20h por dia para salvar o governo de crises, aprovar pautas importantes para o país, apagar incêndios durante todos esses meses. Agora ganho minha alforria e mais tempo para cuidar do meu mandato e da minha candidatura à prefeitura." Da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), destituída por Jair Bolsonaro da liderança do governo no Congresso Nacional.

Pontapé. O PV do prefeito Luciano Cartaxo vai ser conduzido pelo irmão gêmeo Lucélio no processo de sucessão na Capital. Como disse o atual gestor, a definição de nomes começa “dentro de casa”.

Vibrante. Comandante de um projeto com diversas legendas na disputa em 2016 e com um governo bem avaliado, Cartaxo tem opções de relevo dentro da própria equipe de gestão. Terá de dialogar bastante antes de decidir.

Presença... Na Rainha da Borborema, nome forte para a sucessão com o apoio do prefeito Romero, o deputado Tovar Correia Lima, segundo apuração do antenado Henrique Lima, deve voltar à gestão municipal.

... que lembra. Estratégia do tucano é ser lembrado para a cadeira mais importante do Palácio do Bispo. Trava batalha palmo a palco com outro auxiliar do prefeito, o chefe de Gabinete Bruno Cunha Lima, suplente federal.

Progressiva. A volta de Tovar seria uma articulação do líder Aguinaldo Ribeiro (filho do vice Enivaldo), para o aliado Cláudio Régis (ex-prefeito de Remígio) chegar à Assembleia. Com isso, manteria a vaga de vice na legenda ou até na família.

ZIGUE-ZAGUE

O prefeito Romero Rodrigues comemorou ontem a apresentação do laboratório que desenvolverá a tecnologia 5G em Campina. A conquista inédita vem da parceria entre a Tim, a Nokia e a UFCG.

O Ministério do Desenvolvimento Regional destinou mais R$ 11,2 milhões para o Governo da Paraíba aplicar nas obras da Vertente Litorânea (Acauã-Araçagi). Quando estiver concluído beneficiará 600 mil habitantes.

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