sexta, 19 de abril de 2019

Edinho Magalhães
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Poderes em Guerra

22 de março de 2019
Em que pese para alguns a prisão do ex-Presidente Michel Temer não ter sido exatamente uma surpresa, fato é que o seu anúncio modificou o tradicional clima de tranquilidade das manhãs de quinta-feira em Brasília. O dia de ontem mais parecia uma segunda-feira de arrepio e surpresa, típicos do dia preferido da Lava Jato para deflagrar operações contra políticos.

Se comenta em Brasília que este seria um dos fatos que torna difícil não associar a prisão do ex-Presidente e do ex-Ministro Moreira Franco, sogro do presidente da Câmara Rodrigo Maia, de uma possível retaliação da Lava Jato (que projetou o nome do ex-juiz Sérgio Moro à condição de ‘herói nacional’), à forma de tratamento jocosa, e até humilhante, dispensada ao Ministro Moro pelo presidente da Câmara, apenas 24 horas antes.

Coincidências à parte, também se comenta que as prisões deflagradas seriam um recado ao STF sobre a decisão da semana passada, de retirar da Lava Jato a competência para julgar e processar casos de corrupção com crimes eleitorais. A razão da prisão de Temer pode ser interpretada, também, como crime de ‘Caixa 2’. Justamente por isso, há quem acredite que as prisões poderão ser revogadas ou relaxadas pelo próprio STF nas próximas horas, em que pese todo cuidado do juiz federal Marcelo Bretas em não associar as prisões ao processo em que o ex presidente figura como réu, tendo o ministro Gilmar Mendes como relator.

Outro fato bastante comentado é sobre o dia seguinte. “Deverá haver uma forte reação da classe política”. Ela se daria, em primeiro lugar, sobre a pauta governista no Congresso Nacional como por exemplo, ‘suspendendo’ o trâmite da Reforma da Previdência e o pacote ‘anti-corrupção’ do próprio Ministro Moro. Além disso, dá-se como certa que a conta será debitada do Palácio do Planalto, “pois o Ministro Moro é do Governo e a Polícia federal se submete a ele”.

Fato é que nenhum político deseja fortalecer uma pauta que amanhã possa prejudicá-lo.

Essa crise se junta a uma outra anterior, entre tantas, que colocou o Senado novamente em confronto com o STF. Os Congressistas não gostaram do tom ameaçador do presidente da Corte Suprema, Dias Toffoli, que abriu inquérito criminal contra quem criticar ou denunciar o Tribunal ou seus membros. E o Senado tem engatilhado um pedido de CPi para investigar os Tribunais Superiores. Parece um ‘todos contra todos’ num confronto que não deve ter vencedores. Há muita vaidade nesse confronto de ‘poder pelo poder’ entre Congresso, Governo, Lava Jato e STF. Realmente, dias difíceis em Brasília.

Anúncio Adiado

O anúncio do deputado Aguinaldo Ribeiro na ‘Liderança da Maioria’ na Câmara Federal foi adiado devido a prisão do ex-presidente Michel Temer. O dia se iniciou com reuniões na Residência Oficial do presidente Rodrigo Maia e, após a notícia, de lá ninguém mais saiu.

Liderança do Centrão

A Liderança da Maioria é o novo nome do ‘Centrão’, bloco de parlamentares que chega a 230 deputados, suficiente para aprovar - ou não - a Reforma da Previdência. Rodrigo Maia foi seu principal articulador e deverá usá-la para criar dificuldades contra o Governo.

Pauta Suspensa

Sintoma de que o Governo perdeu força e fôlego junto à Câmara Federal para aprovar a Reforma da Previdência, foi o alívio das entidades sindicais de plantão no Congresso: “Agora a reforma subiu no telhado”. Missão número 1 do presidente Bolsonaro em sua volta ao país.

João em Brasília

A crise hídrica em campina Grande foi o tema de audiência em caráter de urgência que o Governador João Azevedo teve em Brasília, no Ministério da Infra-estrutura, na tarde de ontem. O senador Veneziano Vital cancelou sua agenda para acompanhar o Governador. E pegou carona de volta à Paraíba no avião de João.

"A Justiça veio para todos”, do presidente Bolsonaro, no Chile, sobre a prisão do ex presidente Michel temer.

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