sábado, 24 de outubro de 2020


Hermes de Luna
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Poder público dá primeiros passos para ‘novo normal’ na Paraíba

06 de julho de 2020
Sociedade tem que seguir atenta à novas regras sociais e autoridades têm quer dar bom exemplo

Temos um início de semana com novidades e alguns passos lentos em direção ao novo normal. O Estado anuncia a retomada do cronogramas de obras. Isso sinaliza para a iniciativa privada a possibilidade de também ir se preparando e se adaptando aos novos tempos, para reabrir as portas dos seus negócios de forma gradual. Estamos há 115 dias desde que foram estabelecidas, em decretos, medidas de distanciamento social. O poder público, tá na cara, entende que não pode mais bancar esse isolamento. Diante da análise dos últimos dados do coronavírus, vai ingressando numa faixa que restabelece as atividades, embora com muita apreensão no que trata do monitoramento dos casos da Covid 19.

No final de semana, Ministério Público, Tribunal de Justiça e Ordem dos Advogados do Brasil também acertaram o passo para a retomada gradual das atividades presenciais. Mais uma decisão do poder público que vai influenciar nas relações das empresas do setor privado. À medida que os órgãos públicos flexibilizam seus funcionamentos, não há como justificar a manutenção de medidas que impedem o retorno das empresas e do comércio. É justificável o medo de uma nova onda de contágio, mas não há como permanecer na situação atual sem tentar um novo modelo de convivência.

Tudo tem que ser feito com muita calma e a população tem que entender, de uma vez por todas, que não são decretos que vão por fim à pandemia. Não é uma autorização no Diário Oficial que vai mudar todo o panorama da doença no Estado. É preciso respeitar as regras de distanciamento, continuar a usar máscaras e outros equipamentos de proteção individual e manter a higienização diária do corpo. Não tem sentido invadir as ruas desesperadamente.

Também não faz sentido algum que lideranças políticas do interior sigam dando maus exemplos. Em uma semana, dois prefeitos do Sertão paraibano organizaram carretas com evidências de campanha política antecipada, desrespeitando seus próprios decretos de isolamento. O primeiro foi o dr. Verissinho, de Pombal. Agora, no final de semana, o prefeito de Jericó, Cláudio Oliveira, que fez festa pelas ruas da cidade para recepcionar um sobrinho, empresário e pré-candidato à sua sucessão.  Foi preciso que a PM encerrasse a carreata. Teve afronta aos policiais e confusão, antes da dispersão dos correligionários do prefeito. Uma atitude fora de propósito, com intuito de juntar gente e demonstrar força política, renegando a vulnerabilidade da população local diante da pandemia.

Um prefeito que deixa um mau exemplo desse não pode cobrar nada da população. Esse período de pandemia, aliás, coleciona maus exemplos da sociedade, infelizmente. Alguns podem ser corrigidos por força das autoridades. Aqui mesmo falamos de 'filhinhos de papai' que se inscreveram e receberam, irregularmente, parcelas do auxílio emergencial pagas pelo Governo Federal. A CGU continua fazendo o levantamento e deve encaminhar a lista para a Polícia Federal e para o Ministério Público Federal. Esses jovens devem devolver o recebido ilegalmente. Assim como os quase 26 mil servidores públicos que obtiveram o benefício de forma irregular na Paraíba.

Essa pandemia vai nos deixar algumas lições. Muitas delas nada têm a ver com as medidas sanitárias e os protocolos médicos que passaram a ser adotados. Estão ali para lembrar a todos que o brasileiro ainda precisa aprender muito sobre respeito e convivência em sociedade.