terça, 12 de novembro de 2019

Roberto Cavalcanti
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Perda

30 de maio de 2019
Qual o nome dele? Gabriel Diniz, ou simplesmente GD, mas poderia ser também “Alegria” ou “Irreverência”, assim como “Jenifer”, a musa gordinha, faceira e feliz do hit que o projetou nacionalmente no verão passado, mantida entre as mais tocadas do Carnaval 2019, conforme atestaram Youtube, Spotify e Deezer.

“Você não paga as minhas contas/ Já não é da sua conta/ O que é que eu tô fazendo aqui/ Mas mesmo assim, vou te explicar/ O nome dela é Jenifer/ Eu encontrei ela no Tinder/ Não é minha namorada/ Mas poderia ser”. A letra fala ao público, mas foi o carisma de GD que fez com que fosse sucesso em todas as camadas sociais e faixas etárias.

A prova do reconhecimento do seu talento, mas, principalmente do jeito de ser alegre e arrojado, pode ser vista na última terça-feira, quando João Pessoa se despediu do seu filho de coração (ele nasceu em Mato Grosso do Sul, mas veio para a Paraíba ainda criança), vítima de acidente aéreo.

Não só as Jeniferes, mas as Marias, as Lauras, as Júlias, as Camilas, as Laras, as Fernandas, as Marianas... E também os Marcos, os Franciscos, os Antônios, os Josés... foram não lhe dizer adeus, mas um até logo, afinal, todos nos encontraremos um dia na Casa do Pai Celestial.

Testemunho que jamais vi na Paraíba tamanha multidão seguindo um cortejo fúnebre. Comoveu-me a reação da população a esse artista. Não só fãs, mas professores e colegas das escolas de 1° grau até a universidade, foram ao velório e destacaram sua energia positiva que mudava qualquer ambiente.

Quando ouvi o chamamento para o velório no Ronaldão, jamais imaginei que acontecesse o que comprovei: filas enormes, ruas congestionadas e estacionamentos lotados.

Além dos admiradores e amigos de infância, colegas de profissão com os quais mantinha amizade especial, a exemplo de Xand Avião - que passou mal ao vê-lo no caixão -, e Weslley Safadão, que chegou com a mãe. Mas também estavam o cantor Matheus, da dupla Matheus e Kauan, além de outros do show business.

Depois, no traslado para o sepultamento no Parque das Acácias, nada andava na avenida Hilton Souto Maior em razão da multidão que seguia reverentemente o carro do Corpo de Bombeiros, onde estava seu corpo.

A massa atravessando a BR em direção ao cemitério... Repito: nunca assisti a um sepultamento com tal magnitude na Paraíba. Foi espontâneo, voluntário, sem nenhum chamamento, nada pago ou em troca de benefícios futuros.

Quando o povo reconhece os valores, a reação é natural. GD se transformou em um mito. Que dano a Paraíba sofreu com sua morte prematura! Com apenas 28 anos, era talento em ascensão. Quantos mil empregos geraria com aplicação de seus ganhos em nosso Estado, como já fazia? Quantas pessoas e instituições, que ajudava anonimamente, perderam o benfeitor?

GD tinha mais de 30 shows agendados só para junho, o mês do São João. Um deles seria no palco principal da maior festa realizada no Nordeste, a de Campina Grande.

Temos que aceitar que Deus, que nos ama, está no controle de tudo. E foi um gesto de amor que levou GD para a Casa do Pai. Ele contratou o voo porque queria estar presente no aniversário de sua amada, Karoline Calheiros.

O mito é adorado, vivo ou morto, espontaneamente. GD agora é uma estrela no céu.

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