quarta, 05 de agosto de 2020


Roberto Cavalcanti
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Paraíba/Tecnologia

13 de fevereiro de 2020
Ao redigir o artigo do último domingo “Tecnologia”, empolguei-me com o tema e ao constatar o número de caracteres nele contido tive que fazer uma cirurgia radical, retirando parte do texto que considerava importante. Sem espaço físico para publicá-lo na íntegra, agora abordo tecnologia de forma mais específica, focando a nossa Paraíba.

Constatando globalmente os efeitos pragmáticos dos avanços tecnológicos sobre as economias das nações e de suas empresas, ative-me à perda de competitividade da quarta maior potência mundial, a Alemanha.

Registro que sempre há tempo para corrigir equívocos e que aquela nação busca recuperar o tempo perdido no campo tecnológico, o que, em curto prazo, como consequência, poderá deslocá-la do atual ranking das nações industrializadas. No campo da tecnologia industrial, sempre a considerei a primeira, depois vinham as outras.

O alerta que soou na Alemanha, e que tem que soar no Brasil, foi motivado por exemplos práticos financeiros/econômicos dos reflexos dos avanços tecnológicos/científicos: inovações.

Cito um caso concreto no campo industrial do meu domínio. Em visita a moderníssima fábrica que está em sua finalização de montagem e prestes a ser inaugurada aqui na Paraíba, pude constatar que 100% dos equipamentos industriais produtivos, periféricos e moldes foram adquiridos na China.

Alta tecnologia, prazo de entrega e preço tiraram da Alemanha, tradicional supridora nesse segmento, participar dessa implantação. Foi quebrada uma tradição de várias décadas e que, em futuro próximo, não terá a tendência de ser revertida.

Tenho alertado repetidas vezes sobre a velocidade das mudanças no mundo atual em todos os campos. Muitas vezes, tenho a sensação de que, mesmo abraçado a uma boa tecnologia, determinados segmentos e setores da nossa economia me transmitem a imagem de simples artesões.

Se a atividade não estiver diretamente ligada à inovação será tirada do mapa, engolida por uma outra cujo foco é a inovação e a tecnologia. Patentes e inovações decidirão nosso futuro. O Brasil não pode permitir o seu distanciamento do mundo que avança celeremente nesse campo.

Dentro desse espírito, vibrei muito com matéria publicada recentemente que traz: “O salto da Paraíba no registro de patentes”. Nossas universidades estão através dos seus Núcleos de Inovações Tecnológicas (NTIs) impulsionando o registro de patentes depositadas. Hoje, transformados em Agência de Inovação Tecnológica (Inova-PB).

Ressalte-se as contribuições da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba, fundada há 30 anos em Campina Grande, e do Centro de Engenharia Elétrica e Informática (CEET), vinculado à Escola Politécnica da Paraíba, criada em 1952.

Em tecnologia tudo é fruto do trabalho e aplicação por décadas, nada ocorre em um instante.

Em 2018, ocupamos nada menos que o primeiro e segundo lugares no País. A Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com 94 patentes, ocupou o primeiríssimo lugar, sendo secundada pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), com 82 registros. Ocupamos o topo do ranking de registro de patentes de inovação nacional pela primeira vez, desbancando todas as outras universidades do País.

Tecnologia não se constrói de um dia para o outro. Nossas universidades, ao depositarem patentes de produtos junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) configuram que a Paraíba não deseja ficar para trás.

O posicionamento que hoje o Brasil ocupa no agronegócio global não é só consequência do seu gigantismo continental. O mundo hoje reconhece os avanços tecnológicos que dominamos nesse setor. Na agricultura e na pecuária, somos referência mundial. Temos a melhor tecnologia agrícola e nossos rebanhos têm hoje qualidade genética inigualável.

Não é por acaso que nações como a Índia estão aqui para assimilar nossos avanços no aprimoramento de raças originárias daquela nação.

Acredito que nós brasileiros estamos acordados e vivos para acompanhar o mundo que nos cerca nos avanços tecnológicos indispensáveis em assegurar nossa competitividade.