segunda, 10 de dezembro de 2018

Edinho Magalhães
Compartilhar:

Os claros recados das urnas

30 de outubro de 2018
Abertas as urnas e computados os votos, o resultado foi exatamente aquele que as pesquisas já vinham apontando para o segundo turno. Portanto, sem surpresas. Sabemos também que grande parte dos que votaram em Bolsonaro o fizeram pelo anti-petismo. Foi a vitória da “certeza do que não quero”, sobre a “dúvida do que espero”. Mas essas eleições deram muitos mais recados.

Podemos perceber que o mais gritante deles foi o da renovação. Apesar de poucas exceções, o povo não deseja mais assistir a velha política tradicional se multiplicando como feudos eleitorais, e nem se perpetuando como capitanias hereditárias, onde ‘políticos profissionais’ e seus familiares, mais se serviam ‘do’ público do que serviam ‘ao’ público com seus mandatos.

Outro recado gritante foi o da necessidade de mudança. A mudança não somente dos políticos, mas também na forma de fazer política; não apenas do Governo, mas na forma de Governar. É aquilo que já vínhamos repetindo por aqui: não adianta apenas mudar os jogadores se as regras do jogo continuarem as mesmas. O povo também quer a mudança do sistema!

Mais um claro recado das urnas: o da mobilização. O fenômeno dessas eleições foi o alcance das redes sociais. Não foi simplesmente Bolsonaro ter sido eleito com apenas 8 segundos de TV. Foi a constatação que o eleitor não precisa da TV pra escolher seu candidato! E aí, novamente, vem a onda do anti-petismo: o PT sempre usou as redes sociais para replicar o que lhe convinha. Bolsonaro teve a sacada de replicar justamente o que convinha para o povo. O fenômeno dessa mobilização superou a propaganda eleitoral e também o alcance dos tradicionais veículos de comunicação no país! Apesar do necessário filtro contra ‘fake News’, o povo nestas eleições preferiu as redes sociais do que a rádio, o jornal e a TV.

Alguns outros recados foram mais subliminares. Um deles é que as redes sociais continuam e, portanto, os eleitos que se cuidem para não haver mobilização de cobrança. O pós-voto do eleitor será tão importante quanto o voto em si. A fiscalização precisa existir: pior do que anular um voto a cada quatro anos, é ‘se’ anular por quatro anos até o próximo voto.

Outro recado nas entrelinhas: “não atrapalhem o país”. O eleitor fez sua opção e deu seu recado. Se as mudanças não vierem, ele já sabe o que fazer. Não será mais uma oposição ‘político partidária gritante’, propondo boicotes nacionais desde já, que irá mobilizar o eleitor. Não mais.

Pelo contrário: o eleitor é que deverá mobilizar a oposição. Se, e quando, quiser.

O Brasil se comunicou pelas redes sociais e se manifestou pelas urnas. O resultado tem que ser respeitado pelos adversários e os recados tem que ser seguidos pelos eleitos. Do contrário, o eleitor continuará se mobilizando até entenderem o real sentido do grito ‘Muda Brasil!’

O Dia Depois de Amanhã

Conhecido o resultado das urnas, agora o país aguarda ‘o dia depois de amanhã’. A formação política e administrativa do novo Governo. Ao longo deste mês e do próximo muitas especulações vão surgir em torno de algumas confirmações. Há fortes chances de termos paraibanos em posições estratégicas no entorno do novo Governo.

O Dia Depois de Amanhã 2

A maior expectativa do mundo político e do mercado, porém, gira em torno da economia. A comissão mista de orçamento do Congresso Nacional espera a participação de representantes do novo governo na discussão sobre gastos e investimentos a partir de 2019.

Buraco Negro

Infelizmente os números não são nada animadores. E não se trata apenas do já conhecido rombo de cerca de R$ 150 bilhões nas contas públicas, mas na revelação de que os gastos obrigatórios do Estado excedem em dez vezes a capacidade de investimento que o país terá para 2019.

Buraco Negro 2

Para se ter uma idéia do que nos espera, a proposta orçamentária prevê gasto de R$ 1,3 trilhão em despesas obrigatórias, tais como: pagamento de benefícios previdenciários, funcionalismo civil e militar; e transferências constitucionais para Estados, Distrito Federal e municípios. O que sobra para todos os investimento seriam apenas R$ 130 bilhões.

Frase

“Recuperaremos o respeito internacional que o nosso país precisa”, do presidente eleito Jair Bolsonaro sugerindo que irá mudar os rumos do Itamaraty em direção a países como os EUA.

Relacionadas