quarta, 21 de agosto de 2019

Edinho Magalhães
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Os Bastidores da Reforma

12 de julho de 2019
Nos últimos dias as lideranças partidárias na Câmara Federal tiveram mais trabalho do que em toda a atual legislatura. Em função das tratativas e acordos em torno da votação da Reforma da Previdência, os líderes se reuniram com diversos atores. Estiveram com representantes de servidores públicos e de setores da sociedade civil organizada; se reuniram com suas bancadas; com outros líderes; se reuniram com a presidência da Casa; com representantes da Casa Civil; com o Governo e, alguns, se reuniram até com “representantes do mercado”.

Apesar disso, esse período foi revelador para evidenciar o que já se sabia: O Planalto não se entende com a Presidência da Câmara, que não se entende com o líder do Governo, que não é entendido pelos outros partidos e, que também, não entendem como os membros do PSL não se entendem entre si.

Como se não bastasse ficar sem saber a quem procurar, quem procurava também ‘batia cabeça’. Os representantes das entidades de servidores públicos, por exemplo, não se entendiam entre si, cada um defendendo o seu cada qual no interesse de suas categorias.

Apesar dos interesses serem os mais diversos possíveis, as entidades entenderam que - unidos - conseguiriam avançar muito mais do que de forma isolada ‘no varejão’. Foi aí que, organizados, escolheram uma pauta comum para as negociações e, finalmente, identificaram as lideranças que influenciam nas votações em plenário, entre elas as de Wellington Roberto e Aguinaldo Ribeiro. Foi assim que se conseguiu avançar em diversos acordos (ainda que timidamente) inclusive para as forças policiais. Só não foi melhor e mais abrangente, porque demoraram a executar a estratégia da ‘ação em bloco’, com as mesmas causas e pedidos. Mesmo assim, em dado momento, a retórica da maioria dos líderes passou a ser a mesma: seria preciso um discurso político para justificar pedidos que iriam beneficiar apenas os servidores, apesar de que a grande luta travada por eles foi para manter direitos já conquistados. Até o fechamento desta coluna a reforma avançava na votação em primeiro turno no plenário da Câmara. Uma reforma necessária em que muitos ‘perdem’; a maioria se sacrifica;e, alguns, discutem quem é mais vitorioso: se o Governo, o Mercado ou o Parlamento.

Quando, na verdade, quem tem que ganhar é o povo brasileiro. Avança Brasil.

Calendário Maia

Com a aprovação da Reforma em primeiro turno, restando ainda a próxima semana para o segundo turno (tido como muito mais fácil), o presidente Rodrigo Maia consegue executar o prazo que estabeleceu: 19 de julho. Agora sua prioridade será a Reforma Tributária.

Relator da Tributária

Não é a toa que o parlamentar paraibano foi escolhido esta semana como relator da Reforma Tributária na Câmara Federal. Os trabalhos começam após o recesso.

Liderança e Disciplina

Um dos gabinetes mais visitados na Câmara durante a semana de votação da Reforma foi o do líder da Maioria, Aguinaldo Ribeiro: o preferido das entidades, dos jornalistas, dos outros líderes e até do presidente Rodrigo Maia.

Liderança e Disciplina 2

O líder do PL Wellington Roberto recebeu uma demonstração de força e respeito de sua bancada. Sob sua orientação, todos votaram a favor da Reforma, com exceção de um deputado: Tiririca.

Puxador de Votos

Quando questionado sobre o voto rebelde do deputado Titirica, Wellington respondeu: “ele pode”. Mas não por ser uma espécie de ‘café com leite’ no Congresso, mas porque sua expressiva votação rendeu cadeiras ao partido na Câmara Federal.

O Négo de Hugo

Por sua vez o PRB teve apenas dois dissidentes na orientação partidária pela aprovação da Reforma. Um deles foi o deputado Hugo Motta.

Voto da Bancada

Hugo se uniu ao entendimento de outros três representantes da bancada federal paraibana: Damião Feliciano, Frei Anastácio e Gervásio Maia. O trio da resistência virou quarteto.

Paraibanos em Ação

Entre os representantes de entidades nacionais de servidores públicos que foram discutir a Reforma no Parlamento, diversos paraibanos pilotaram os entendimentos com líderes partidários e até com o presidente Rodrigo Maia. Entre eles, Geraldo Seixas (Sindireceita), Angelo Fabiano Costa (Frentas) e Fábio George da Nóbrega (ANPR).

 

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