terça, 04 de agosto de 2020


Roberto Cavalcanti
Compartilhar:

Oportunidades

26 de março de 2020
Nasci exatos nove meses após o fim da Segunda Guerra Mundial. Sempre tive profunda admiração por aquela geração que vivenciou uma catástrofe mundial. Não podia pensar diferente, até por ter sido gerado em consequência das comemorações do final da guerra.

Qualquer boa literatura sobre aquele sinistro evento mostrará a importância da capacidade de resistência e do senso de oportunidade que o homem é capaz de materializar exposto a adversidades.

Estando do lado vitorioso, me apegarei a dois grandes exemplos por parte de derrotados, o que os valoriza ainda mais.

Cito por exemplo, a família "Hutzler", residente na Baviera-Alemanha, e que em plena guerra, 1939, partilhava o nascimento de um bebê batizado cristãmente com o nome de "Georg".

Superando as atrocidades que um campo de batalha impõe, criou-o durante e no pós-guerra fazendo-o um batalhador migrante alemão.

Coisas do destino, trouxe-o ao Brasil, especificamente a Pernambuco, casando-se lá com minha irmã Celina. Ele e toda a sua numerosa família superou a tudo e a todos dando sempre, a cada dia, lições de resiliência.

Indiretamente, parte da minha vida, se apegaria a outro fato exemplar. Tenho profunda admiração pela história do fundador da Honda, senhor "Soichiro Honda". No imediato pós Segunda Guerra, 1946, em pleno Japão devastado, fundou uma empresa industrial que vem há mais de 70 anos consolidando-se a nível mundial.

Esses dois exemplos, mostram que é possível, sempre, reconstruir e criar em um ambiente de máxima adversidade. Faço esses relatos não apenas por laços que hoje me unem, mas como exemplos de vida a serem seguidos.

Admirar uma família que, sobrevivendo no cenário de guerra, fez surgir uma grande linhagem da qual hoje faço parte colateralmente através dos meus sobrinhos e dos sobrinhos-netos, os "Hutzler".

Admiro não apenas por hoje sermos concessionários da marca "Honda", o que muito nos orgulha, mas pelo valor da sua história.

"Power of Dreams" era o seu apelo de marketing, seu slogan comercial e será exatamente onde darei ênfase ao embrião desse meu pensamento hoje.

A força dos sonhos materializa e cria condições de tirarmos das adversidades novos caminhos.

Jamais gostaria de potencializar os efeitos dessa guerra viral que estamos vivendo, porém, tenho certeza que passada, não seremos mais os mesmos, quer seja como pessoas e como Nação.

Sempre disse que na vela, esporte que pratico com amor, somente no contravento é que se destacam o bom equipamento e a boa tripulação.

Eis que sou despertado na madrugada da última quinta-feira, 19, por um telefonema de um empresário do ramo imobiliário procurando saber se ainda poderíamos disponibilizar espaço em uma determinada área.

Do outro lado, havia um competente e atuante grupo empresarial desejando utilizá-lo para no decorrer dessa guerra agregá-lo como logística de atuação emergencial.

Vejam só que belo exemplo!

Nas guerras também surgem as grandes oportunidades.

Hoje, recluso por determinação superior em minha casa, não paro um só instante de pensar e visualizar oportunidades. Acredito que é chegada a hora de nacionalmente convocarmos esses neurônios ociosos fisicamente a buscarem caminhos para o nosso futuro.

Um dia no pós-guerra, espero despertar vivo, ter a alegria de contar todos os meus sãos e salvos, fazer uma avaliação dos danos, e a exemplo dos "Hutzler" e dos "Honda", materializar sonhos.