sexta, 19 de abril de 2019

Lena Guimarães
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Opção pelo silêncio

31 de março de 2019
Tanto o governador João Azevedo como o ex-governador Ricardo Coutinho, para citar apenas os dois maiores líderes do PSB na Paraíba, criticaram a condenação pública da ex-secretária Livânia Farias (Administração), sem que antes tivesse a oportunidade de se defender das acusações que levaram a Justiça a determinar sua prisão, atendendo pedido da operação Calvário.

Livânia foi delatada pelo ex-assessor, Leandro Nunes de Azevedo, que revelou pagamentos de propina por parte da organização social Cruz Vermelha, filial Rio Grande do Sul, que foi contratada pelo Estado para gerir o Hospital de Trauma sem licitação e sem ter experiência comprovada.

Ele contou que a ex-secretária comprou casa e outros bens com dinheiro da propina, e que também autorizou pagamentos de despesas da campanha eleitoral de 2018 do PSB com os recursos ilícitos, a exemplo do que fez com os quase R$ 900 mil que recebeu no Rio de Janeiro, para onde chamou fornecedores e antecipou valores de serviços que seriam entregues até as eleições.

Presa desde o dia 16, o que fez Livânia Farias na audiência com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), quando teve a oportunidade de se defender? Deu silêncio como resposta as indagações feitas.

Ficou claro tratar-se de estratégia da defesa jurídica da ex-secretária, mas que conflitou com a defesa política, isso ninguém pode negar.

Se ela preferiu o silêncio, se não contestou as revelações feitas por Leandro Nunes de Azevedo, em quem acreditar?

Operadores do direito, contudo, avaliam que a estratégia pode beneficiar a ex-secretária. Apontam que antecipar defesa quando há investigações em curso seria um risco muito grande. Falar antes de se conhecer todo o conteúdo da acusação? Arriscar-se-ia a entregar informações que poderiam ser usadas contra ela.

A defesa política perdeu força, e como o silêncio nunca é associado a ausência de malícia – tem até ditado popular segundo o qual “quem cala, consente” -, a estratégia dos advogados pode provar ser eficiente no futuro, mas no momento reabastece a fogueira que queima a imagem dos girassóis.

TORPEDO

Precisamos de igualdade, de mais mulheres comandando municípios paraibanos, por isso, também levaremos essa bandeira para a Marcha dos Prefeitos em Brasília. Convido todas as prefeitas a participarem desse movimento. De George Coelho (Famup), apontando que 18% dos municípios da Paraíba são governados por mulheres, sendo o 6° com mais prefeitas no Brasil.

Calvário. Com a exoneração e consequente perda de foro especial da ex-secretária Livânia Farias, a Operação Calvário, que estava com o desembargador Ricardo Vital, passou para a juíza Andrea Gonçalves Lopes Lins.

Calvário 2. O juíza é substituta na 5ª Vara Criminal da Capital, cujo cargo está vago, conforme consta no site do TJPB. Deve julgar, além de Livânia Farias e seu delator, Leandro Nunes Azevedo, dirigentes da Cruz Vermelha.

Vítimas. Luciano Cartaxo foi quem pediu investigação, mas não é a única vítima de arapongagem na Paraíba. Antes dele, foi vazado áudio dos secretários Waldson de Souza e Gilberto Carneiro, e do deputado Julian Lemos.

Poderosos... . Desembargador e acadêmico, Marcos Cavalcanti de Albuquerque vai lançar novo livro “Oligarquias do Vale do Mamanguape “ no segundo semestre. Conta a história da política na região, do século XIX ao XX.

... do Vale. Entre os personagens, deputados provinciais, senadores e governadores, passando dos Almeida e Albuquerque, Barão de Mamanguape, Castro Pinto, Fernandes de Lima e Lundgren, até nomes recentes.

Mudança. Convênio entre TJPB, Iesp e Secretaria de Segurança vai capacitar delegados e policiais do projeto-piloto “Delegado Conciliador”, que privilegia conciliação e mediação nos crime de menor potencial ofensivo.

Zigue-Zague

<A deputada Camila Toscano (PSDB) está propondo criação de protocolo on-line para registro de agressão contra profissionais da educação nas instituições.

>Em pesquisa da OCDE, Brasil lidera ranking de violência: 12,5% dos professores foram vítimas de agressões verbais, 34% de intimidação e 11,8% de vandalismo.

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