segunda, 20 de maio de 2019

Roberto Cavalcanti
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Obstáculos

17 de fevereiro de 2019
Como efetivamente me sinto na vida? Vejo-a como uma corrida de obstáculos. Nada tive de forma fácil. Sempre foi resultado de muita transpiração, muita luta e barreiras vencidas.

A vida para mim tem sido uma grande e permanente corrida de obstáculos. Ao nascer, meu encontro com a atmosfera terrestre foi impactante, e já mostrava que a vida terrena não seria suave ou sem esforço.

As mães, à época do meu nascimento, não dispunham das opções atuais. Era parto normal, e o meu dizem ter sido terrivelmente difícil. Talvez tenha até provocado em mim sequelas que ao longo do tempo tenho tentado contornar.

Não respirando, e como consequência não chorando ao nascer, fui deixado para trás. Era o momento de salvar a minha mãe, esposa de um colega médico que estava presente na sala de partos.

Já começava daí a atuação fantástica do meu sempre presente anjo da guarda. Eis que o médico anestesista, que já tinha cumprido sua missão para com a cliente, me vendo imóvel, em uma pedra, põe um equipamento de respiração forçada e me faz respirar e chorar fortemente.

Estava ali Roberto, pronto para enfrentar as barreiras da vida.

Ao longo de todo esse meu tempo de existência, nunca tive calmaria. É luta após luta. Batalha após batalha.

Seguindo a teoria de Darwin, busquei na adaptação a forma de sobreviver e de me fortalecer.

Saio agora do “eu” para o “nós”. O segredo da “sobrevivência” está diretamente ligado ao “nós”. Tenha plena consciência de que você sozinho não é nada. Será apenas um egoísta ermitão.

Tudo que somos na vida parte do princípio da concepção. Não foi uma única pessoa que gerou uma nova vida. Sempre tive parceiros na materialização dos meus sonhos. Daí a minha força. A superação dos obstáculos da vida torna-se mais fácil com o trabalho em equipe.

Porém, obstinação, índole, perseverança, força de vontade e desprendimento são características pessoais que devem ser cultivadas. Lá na frente vão permitir a comemoração do seu percurso de vida realizado com sucesso, cavalgando ou sendo cavalgado.

Sorte? Que nada. É através da transpiração e do conhecimento que você alcançará o topo dos seus objetivos.

Muitas vezes, me coloco vestindo fantasias para me situar, me identificar. Trago isso dentro de mim desde que me entendo como gente. Garoto, caminhava a pé de casa até as minhas escolas, pelas calçadas do Recife, e me sentia uma máquina de competição. Puro sonho.

Até hoje, quando me pergunto quem sou, dentro da minha doidice, me autoafirmo como um cavalo. Por minhas características físicas, nunca seria um garanhão premiado em exposições, pela ausência de porte e beleza; e jamais seria um exemplar de tração animal pela mediocridade da função e falta de liberdade.

Gostaria muito de ser um puro sangue inglês de corridas, para ter sido criado pelo meu avô materno, José Gaspar, aficionado dos prados e criador, no Derby, tendo ali a oportunidade de conviver mais com ele; com certeza, também, não seria um cavalo selvagem, dos campos infinitos, por minha total dependência urbana.

Até que, enfim, encontrei na fantasia o cavalo que se ajusta à imagem do que sinto ser na vida: um cavalo de hípica.

Não pelo lado charmoso e elitista dos clubes hípicos; não pelos aplausos de um público presente na pista de provas; não pelos bons tratos do meu criador; mas, pela minha sina de saltar obstáculos.

Sinto-me na vida como um cavalo de saltos. Nunca tive uma chance que não fosse em decorrência de saltar barreiras. Esta é a minha vida. Este é o meu perfil cotidiano. Nunca tive pista livre.

Amo saltar obstáculos. Se não fosse assim, não seria Roberto. É a minha opção de vida, é o meu karma, é como me sinto bem no desafio das competições. Meu estímulo é a dificuldade. Meu alimento é a superação.

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