domingo, 17 de fevereiro de 2019

Lena Guimarães
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O teste de João

05 de fevereiro de 2019
João Azevedo vai lidar com o escândalo da Cruz Vermelha de modo a se firmar como liderança política de futuro na Paraíba, ou por gratidão ao ex-governador Ricardo Coutinho, seu padrinho, aceitará o ônus de tentar defender o que parece ter potencial para terminar em grande estrago?

A rebelião na base governista, que terminou com a quebra do acordo para a eleição da Mesa Diretora da Assembleia, foi apenas um inconveniente se comparada ao caso da Cruz Vermelha. Hervázio Bezerra, o preferido de João Azevedo para o 2° biênio, perdeu, mas Adriano Galdino garante manter sintonia com sua gestão.

Por outro lado, as imagens que mostram Leandro Nunes de Azevedo, então assessor da Secretaria de Administração, recebendo de Michele Louzzada Cardoso, em hotel de luxo do Rio de Janeiro, uma caixa, que teria dinheiro segundo a investigação, são fortes.

Se o assessor, que foi demitido a pedido, agiu sozinho, seria a hora de defender os secretários citados, Livânia Farias (Administração) e Waldson Souza (ex-Saúde e atual Planejamento), estratégicos na gestão de Ricardo Coutinho e que poderão dar igual contribuição para João Azevedo. Se não participaram, não deveriam ficar sob suspeição.

Os dois inclusive enfrentaram o vexame de terem suas casas como alvos de buscas e apreensões. O deputado Eduardo Carneiro pediu que fossem afastados dos cargos, para não terem como “destruir provas”.

Para piorar, a ex-primeira-dama Pâmela Bório reafirmou denúncia feita antes de que viu caixa de dinheiro em um armário da Granja.

Contudo, o governo prefere defender a contratação da ONG e apontar que os serviços no Hospital de Trauma melhoraram, no esforço para garantir que o dinheiro foi aplicado e que nenhuma parte foi acrescida e posteriormente entregue a quem quer que seja.

A oposição quer CPI, mas considerando o que aconteceu no caso Empreender, dará em nada. O governo tinha e tem maioria absoluta na Assembleia e não permitirá investigação que pode fragilizá-lo. A posição da base revelará a opção de João Azevedo e a marca que aceitou carregar.

À oposição restará a tribuna para as denúncias e questionamentos. E apoiar a investigação do MP, para que dê as resposta que a Paraíba espera.

TORPEDO

"Investigações do MP apontam para desvios de recursos públicos e o governo não pode apenas vir a público dizer que tudo está bem na Paraíba. É preciso mostrar os números e o funcionamento dessas organizações na garantia ao atendimento da população."

Do deputado Tovar Correia Lima apontando que a gestão do PSB transferiu R$ 1,3 bilhão para três organizações sociais da área da Saúde.

O líder

Por unanimidade, o deputado Raniery Paulino (MDB) foi escolhido para liderar a bancada da Oposição na Assembleia. Tem posições firmes, é conhecido por ser correto com aliados e pela capacidade de diálogo.

Traição

No Correio Debate, Hervázio Bezerra (PSB) bem que tentou não demonstrar mágoa com os colegas deputados da base governista que traíram sua candidatura à presidente da Assembleia. Missão impossível.

Troco

Hervázio, contudo, foi inteligente e fez uma declaração para atingir o seu algoz: “Se eu não fosse candidato, eu teria votado em Adriano. (...) Ele foi um dos maiores amigos que eu construí na Assembleia”. Ui!

Nem aí

Resposta de Adriano Galdino: “Infelizmente Hervázio não teve os votos que esperava ter. Estamos eleitos, eu presidente, temos nossa reponsabilidade e vamos dar a João [Azevedo] a governabilidade total”.

Resultados

Após a derrota eleitoral até na Capital, a sorte voltou a sorrir para o prefeito Luciano Cartaxo. Recuperou a competente Socorro Gadelha, gestora de resultados que reassumiu a Habitação. Vai fazer a diferença.

Agilizando

Iniciando gestão do presidente Márcio Murilo, as Câmaras Cíveis e Criminal do TJPB se reúnem, hoje, para julgar 724 recursos que constam nas pautas ordinárias e suplementares. Os trabalhos têm início às 8h30.

ZIGUE-ZAGUE

< Bolsonaro ao Congresso: “Não temos pena e nem medo de criminoso. A eles sejam dadas as garantias da lei e que tais leis sejam mais duras”.

> O pacote anunciado por Sérgio Moro declara guerra ao crime, muda 14 leis e recoloca em pauta o Caixa 2 e a prisão em segunda instância.

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