terça, 16 de julho de 2019

Renato Félix
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O racismo contra Lena Horne

21 de novembro de 2018
Se você já viu algum filme da trilogia Era uma Vez em Hollywood, sabe que se trata de uma compilação de grandes números musicais da Metro. No primeiro filme, de 1974, em um momento a apresentadora Elizabeth Taylor diz: “Se Lena Horne estava num filme, é quase certo que era da Metro”.

Lena, bela cantora negra de jazz, tinha um grande potencial para as telas de cinema, e a Metro percebeu isso. Ela brilha em Tempestade de Ritmos (1943), da 20th Century-Fox, e Uma Cabana no Céu (1943), da Metro.

Pois no terceiro Era uma Vez em Hollywood, ela apresenta um segmento sobre si mesma — para evidenciar o racismo que sofreu naqueles poucos anos de carreira no cinema. Embora tenha tido bons personagens nesses primeiros filmes, a questão é que o espaço havia por se tratar de um elenco negro, em um produto direcionado para o público negro.

Quando se tratava das produções classe A da Metro, a história era outra. A própria Lena contou que o estúdio não sabia muito bem o que fazer com ela. Evitava dar a ela uma personagem importante para não causar a ira das plateias racistas e segregacionistas do sul dos EUA.

Assim, suas participações em grandes filmes muitas vezes eram relegadas a uma participação especial, cantando em um número musical — algo que pudesse ser facilmente cortado quando o filme fosse exibido nos estados onde a segregação racial ainda acontecia.

Em 1946, Lena faz uma participação em Quando as Nuvens Passam, representando um número da personagem Julie Laverne, do musical de teatro O Barco das Ilusões. Quando a Metro resolveu adaptar o próprio musical, em 1951, Lena Horne era candidata natural ao papel — Julie é uma mulata. Mas a Metro preferiu escalar Ava Gardner (branca e que teve que ser dublada). Com essa, Lena Horne deixou o cinema e se concentrou na música e no ativismo contra o racismo.

 

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