domingo, 17 de fevereiro de 2019

Lena Guimarães
Compartilhar:

O que a Justiça sabe

06 de fevereiro de 2019
Conciliar tempo e demandas de 223 municípios é tarefa pesada, mas o governador João Azevedo deveria priorizar a leitura das 26 páginas da decisão do desembargador Ricardo Vital de Almeida sobre a operação “Calvário II”, que apura improbidade administrativa e pagamento de propina em contrato com a Cruz Vermelha Brasileira/RS (CVB/RS) para administração do Hospital de Emergência e Trauma da Capital.

Em declaração na Assembleia, João Azevedo insistiu que o “modelo” de gestão com organização social está correto, e que “o objeto da investigação” seria a relação entre a CVB/RS e seus fornecedores e não entre a CVB/RS e o governo.

Foi mal informado. Se ler, vai descobrir que a decisão do desembargador começa destacando que os fatos que desencadearam a operação Calvário permitiram “a identificação do recebimento de propina” na gestão da CVB/RS no Trauma.

Diz que Leandro Nunes Azevedo, então assessor da Administração, foi ao Rio com a “única finalidade de receber propina”. Que há citações de Michelle Cardoso (CVB/RS) a Waldson Souza, secretário de Saúde há época da assinatura dos contratos e aditivos, e que Livânia Farias foi quem qualificou a CVB/RS como organização social, “mesmo sem ela preencher os requisitos necessários para tanto”. Que em 2011 não tinha experiência em gestão hospitalar e que o contrato foi sem licitação.

O governo insiste que a gestão do Hospital é boa e justificaria o contrato. Na decisão a análise é outra: “A contratada CVB/RS não trouxe vantagem alguma ao Estado da Paraíba, notadamente no que toca a garantia de continuidade de prestação de serviços de saúde com qualidade”.

Diz ainda que investigações descobriram as seguintes irregularidades: “cenário de descontrole na utilização de bens permanentes; presença de medicamentos vencidos ou adquiridos com curto prazo de validade; não destinação adequada de bens inservíveis; suspensão de cirurgias eletivas sem causa razoável e desmedidas celebrações de contratos que pecam pela ausência de publicidade, economicidade, algo detectado no final de 2018”.

Fala de uma entrega de dinheiro às vésperas do 2° turno de 2014, através de voo fretado do Rio a João Pessoa. Lendo, o governador pode aperfeiçoar seus argumentos de defesa.

TORPEDO

"É preciso uma apuração rigorosa neste caso, e que os eventuais culpados sejam exemplarmente punidos; e que sirvam de exemplo para aqueles que pensem em desviar recursos públicos, principalmente quando falamos da saúde das pessoas mais humildes."

Do ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB), sobre o escândalo da Cruz Vermelha, lembrando denúncias que fez na campanha de 2014.

Versão

O direito dos deficientes sensibiliza, mas difícil é acreditar que os trabalhos na Assembleia foram suspensos por 15 dias para adequar a tribuna às necessidades de Cida Ramos. Poderia ser feita funcionando.

Versão 2

A oposição diz que foi para evitar repercussão da Operação Calvário II e sobre a CPI da Cruz Vermelha. Quem ouviu o detalhamento do ex-presidente Gervásio Maia sobre reforma que realizou, tende a concordar.

Líder

A Paraíba continua se destacando no Congresso. Além de Daniella Ribeiro, confirmada líder do PP, Veneziano Vital foi escolhido para liderar o bloco Senado Independente, que reúne PSB, PDT, PPS e Rede.

Estrelas

Veneziano vai liderar ninguém menos que a combativa Katia de Abreu, o ex-governador do Ceará Cid Gomes, o atuante Randolfe Rodrigues e a famosa Leila do Vôlei, no bloco que conta com 13 senadores.

Daniella

Já Daniella Ribeiro atendeu convite do presidente do Senado, Davi Alcolumbre para reunião na qual discutiram o funcionamento da Casa e suas expectativas. Participou ainda o senador Luiz Carlos Heinze.

Prêmio

O Patriotas não conseguiu os votos exigidos pela cláusula de barreira. O deputado Felipe Leitão teria que buscar outra filiação. Optou pelo DEM e ganhou a presidência do diretório de João Pessoa. Raoni Mendes perdeu.

ZIGUE-ZAGUE

< O juiz Gutemberg Cardoso Pereira, da 3ª Vara da Fazenda, ordenou a Câmara de João Pessoa cancelamento da posse de Carlão do Cristo.

> Atendeu ao suplente Marcílio Ferreira. Carlão não poderia assumir vaga aberta por Eduardo Carneiro, porque nova lei exige votação mínima.

Relacionadas