segunda, 10 de dezembro de 2018

Fábio Cardoso
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O ódio no futebol

29 de novembro de 2018
Definitivamente não entendo o ódio que torcedores de time A tem dos torcedores do time B, em especial no futebol brasileiro.

Fui assistir a partida entre Sport e Palmeiras, no estádio da Ilha do Retiro, no Recife, aproveitando um final de semana por lá, e confesso que fiquei preocupado por não estar no clima dos torcedores da arquibancada onde estava com a minha esposa - o estádio estava lotado. Afinal, poderia ter sido equivocadamente confundido como um torcedor do Palmeiras (Não, torço para o São Paulo).

Por sorte (acredito), chegaram três torcedores do Brasil de Pelotas, de Caixas do Sul (RS), que estavam de férias em Porto de Galinhas (PE) e decidiram assistir a partida. Afinal, assim como eu, entendiam que um jogo do Palmeiras é atração para quem não tem tanta oportunidade de assistir um dos times grandes do futebol brasileiro.

No bate-papo durante o intervalo com os torcedores do Sport, falamos sobre futebol brasileiro, da situação complicada do Sport, que corre o risco de rebaixamento para a Série B e, involuntariamente, comentei que era torcedor do São Paulo e que estava no estádio, também, para secar o nosso rival caseiro.

A surpresa minha foi o comentário dos torcedores do Sport, dizendo para que eu ficasse tranquilo, pois os inimigos deles eram os torcedores palmeirenses, esses sim, deveriam apanhar até a morte.

Já tinha visto alguns torcedores do Sport ofendendo, mesmo que à distância, os torcedores do Palmeiras, fazendo gestos obcenos e coisa e tal, mas jamais poderia imaginar tamanho ódio.

Fico imaginando até hoje o que leva um torcedor do Sport, em Pernambuco, ter ódio mortal de um torcedor do Palmeiras, em São Paulo? Não tem sentido algum.

É inadmissível, inaceitável, irracional esse tipo de pensamento.

Por essas tantas, que hoje evito até mesmo circular pelas ruas, inclusive, em João Pessoa, com a camisa do meu time de coração. Demonstrar paixão pelo seu clube atualmente pode ser uma sentença de morte.

Onde nós chegamos...

PS. Depois desse jogo, estive em São Paulo e assisti Palmeiras e Cruzeiro, no estádio do Pacaembu. Fiquei na torcida do Cruzeiro e, novamente, testemunhei ofensas e ameaças de ambos os lados, numa completa irracionalidade. O Cruzeiro perdeu, mas, desta vez, os torcedores, a maioria mineiros que residem em São Paulo, saíram calados, muitos deles, tirando a camisa do time do coração, colocando na mochila e vestindo outra camisa.

No final da partida, comprei uma bandeira do Palmeiras e levei de presente para um amigo torcedor do Porco, merecidamente campeão brasileiro de 2018.

No domingo passado, vi pela televisão a torcida do Cruzeiro dando boas-vindas para os torcedores do Flamengo, na partida dos dois times no Mineirão, enquanto torcedores do Vasco e Palmeiras se confraternizavam nas arquibancadas do estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, mesmo os dois times estando em situações distintas, um sagrando-se campeão, o outro correndo o risco de rebaixamento.

São exemplos que, na realidade, infelizmente, não traduzem o que representa a rivalidade das torcidas Brasil afora.

 

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