segunda, 17 de junho de 2019

Renato Félix
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O meu primeiro Batman

17 de abril de 2019
O Batman fez 80 anos um dia desses e meu filho Arthur tem visto a série dos anos 1960. O que me lembra este texto que escrevi quando Adam West morreu, em 2017:

"Quando eu era pequeno, existiam dois Batman na minha vida. Um era o do desenho dos Superamigos. O outro, Adam West, na série de TV.

Minha memória me conta que eu assistia à série de manhã bem cedo, tipo 7h30 ou 8h30, logo após o Super-Homem do George Reeves.

Eu não tinha, claro, a menor noção daquela gozação toda com o personagem.

Pra mim, era tudo sério e o Batman era aquele mesmo, sem tirar nem pôr. Enfrentando, com seu bat-isso e bat-aquilo, aquela galeria interminável de vilões.

Ainda trago comigo aqueles finais dos episódios, com os heróis em perigo mortal e a conclusão prometida para o dia seguinte 'nesta mesma bat-hora, neste mesmo batcanal'.

Eu assistia à série no final dos anos 1970, mas ela era de 1966-1968. Neal Adams e Dennis O'Neill já tinham reinventado o personagem a partir de 1968 nas HQs, devolvendo a ele a seriedade e o ar sombrio.

Depois veio O Cavaleiro das Trevas, obra-prima do Frank Miller, de 1986, e a série dos anos 1960 caiu de vez em desgraça. As pessoas falavam dela como se fosse um ultraje ao Batman.

Nunca pensei assim e defendia a série, mesmo quando passei a entender que o clima era mais de paródia, mesmo.

Que bom que ele viveu pra ver a série voltar a ser reconhecida. Ele até voltou a interpretar o Batman: no longa animado O Retorno da Dupla Dinâmica, em que ele fez a voz do Homem-Morcego, de novo contracenando com os velhos parceiros Burt Ward e Julie Newmar.

Reinterpretar o herói, depois de ter ouvido tantas vezes que ele não era 'o Batman de verdade', foi uma bonita homenagem que Adam West, o primeiro Batman de verdade de um monte de gente, certamente mereceu".

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