quarta, 14 de novembro de 2018

Lena Guimarães
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O homem-bomba

17 de outubro de 2018
Nem a renúncia do prefeito preso de Cabedelo, Leto Viana - que força a convocação de novas eleições no 6° maior colégio eleitoral da Paraíba -, nem a citação de conselheiros do TCE na Operação Xeque-mate pode concorrer com a repercussão das declarações do senador eleito Cid Gomes (PDT), que esquentou ainda mais a sucessão presidencial.

Em evento no qual deveria reforçar apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) à presidência, o ex-governador do Ceará cobrou mea-culpa por tudo que aconteceu nos governos do PT.

“Tem que pedir desculpas, tem que ter humildade, tem que ter humildade e reconhecer que fizeram muita besteira”, afirmou Cid, recebendo vaias da militância. Vídeos do evento mostram que ele não se intimidou e continuou.

“É assim? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir os erros que cometeram, isso é para perder a eleição e é bem feito. É bem feito perder a eleição. Vão perder feio, porque fizeram muita besteira, porque aparelharam as repartições públicas, porque acharam que eram donos de um país e o Brasil não aceita ter dono, é um país democrático”.

Alguns iniciam o “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” e Cid responde: “O Lula está preso, ô babaca. O Lula está preso. E vai fazer o quê? Isso é o PT, e o PT desse jeito merece perder. Babaca, vai perder a eleição.”

Os vídeos caíram nas redes sociais e também no programa eleitoral de Jair Bolsonaro, o adversário do petista Fernando Haddad, e explora a reação dos petistas à proposta de Cid Gomes. Ora, depois dos crimes imputados, de tantas condenações e da maior crise econômica da história, não pedir desculpas seria o mesmo que declarar que não houve erros e que não precisam mudar.

O PDT não negou apoio ao seu senador. O presidente nacional do partido, Carlos Lupi avalizou sua fala: “Não tem autocrítica no PT. O que o Cid Gomes está falando é verdade. Que autocrítica eles fizeram? Ele desabafou sentimento majoritário no partido”. Também reclamou que o PT só quer receber apoio, nunca oferece a aliados.

Depois de frustrados os apoios de Ciro Gomes, FHC e Joaquim Barbosa, e das pesquisas que mostram Jair Bolsonaro muito à frente, tudo que o petista não precisava era da cobrança e do prognóstico de derrota por Cid Gomes.

Torpedo

"Não posso deixar de confidenciar que fiquei muito feliz que depois do resultado das eleições houve muitas especulações sobre a possibilidade de disputar mandato de prefeito em 2020, em Campina Grande. Acredito que seja a confirmação de um caminho a seguir." (Do deputado Bruno Cunha Lima (SD), que não conseguiu vaga na Câmara Federal mas tem planos para concorrer novamente em 2020.)

Vaga aberta

A renúncia de Leto Viana, preso em 3 de abril pela operação Xeque-Mate, já era esperada em Cabedelo. Permitirá eleições para mandato tampão, e também pode mover o processo para a 1ª instância.

Investigação

Leto é acusado de comprar mandato de prefeito, de fraude e licitações dirigidas, entres as acusações que também afastaram o vice e 10 vereadores. O relator do caso é o desembargador João Benedito.

Acordão?

O presidente do PSOL, Tárcio Teixeira divulgou nota na qual afirma que a renúncia “cheira a acordão da prisão com o interino”. Lembra que seu partido foi quem pediu o impeachment e que deve apresentar candidato.

Relator

Antes da renúncia, o desembargador João Benedito decidiu que a competência para julgar é do STJ, pois decisão do conselheiro Fernando Catão (TCE) foi citada no caso, como suspeita de favorecimento.

A nota

O TCE saiu em defesa de Catão e de Nominando Diniz, também mencionado. Disse que foi a pedido do MP de Contas que cautelar suspendeu licença para shopping em Intermares, que depois foi revogada.

A nota 2

Segundo o presidente do TCE, André Carlo Torres, a revogação da cautelar também ocorreu a pedido do MP, após ouvir a defesa. Afirmou que TCE apoia combate à corrupção e que confia na ética de seus pares.

Zigue e Zague

O prefeito Romero Rodrigues (Campina), não descarta deixar o PSDB. Disse que foi um dos primeiros a entrar no partido e que pode ser o primeiro a sair.

Arthur Monteiro Lins Fialho recebeu congratulações da Primeira Câmara Civil do TJ, pela posse no TRE. Iniciativa do desembargador José Ricardo Porto.

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