segunda, 14 de outubro de 2019

Lena Guimarães
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O elixir de João

06 de outubro de 2019
Como o governador João Azevedo, que estreou há tão pouco tempo na política paraibana e tem apenas nove meses de governo, conseguiu confrontar e acuar o seu antecessor, Ricardo Coutinho, que nesse jogo derrotou raposas como os ex-governadores Cássio Cunha Lima e José Maranhão, e ainda deu um drible em Luciano Cartaxo, de quem recebeu apoio para reeleição mas que lançou candidato para evitar que conseguisse o mesmo resultado em 2016?

E para quem duvida de que João está superando Ricardo, basta lembrar que mostrou ter maioria nos Diretórios Estadual e Municipal de João Pessoal, ambos dissolvidos; que se recusou a integrar Comissão Provisória Estadual, nomeado que foi pela Direção Nacional; e mantém maioria significativa na Assembleia Legislativa.

O marinheiro Popeye, o personagem dos quadrinhos, ganha força fenomenal quando come espinafre. Qual o elixir de João? Recebi inúmeras explicações de aliados e adversários, mas uma delas se ajusta ao quebra-cabeça da conjuntura paraibana: a Operação Calvário.

Em 1° de fevereiro deste ano, o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), cumpriu mandados de busca e apreensão contra os então secretários Livânia Farias (Administração) e Waldson de Sousa (ex-Saúde), para apurar fraude e desvio de recursos no contrato com a Cruz Vermelha, que administrava o Trauma.

Desde então, seis secretários da extrema confiança de Ricardo foram exonerados ou pediram para sair (Livania Farias, Waldson de Sousa, Gilberto Carneiro e Cláudia Veras perderam os cargos e Amanda Rodrigues (companheira de Ricardo) e Luiz Torres pediram para sair.

Na sequências, as delações premiadas apontaram a existência de um esquema de desvio de recursos que beneficiava agentes públicos e chegou até a financiar campanhas.

Como Ricardo era o governador, foi grande defensor da terceirização de serviços via organizações sociais, implantou a modalidade na Saúde e na Educação, e quem delatou o esquema era de seu grupo mais próximo, sofreu grande desgaste com as revelações. Perdeu a aura que o diferenciava dos que praticam a “velha política”.

Ricardo tentou enquadrar João ao modelo que desenhou para ele na campanha, mas fez isso quando estava fraco e os políticos temendo envolvimento com as denúncias. A Calvário foi o elixir de João.

Torpedo

"Tivemos a oportunidade de apresentar ao ministro as nossas demandas, ouvir evidentemente, conhecer em mais detalhes o Plano Nordeste. (...) Que a gente possa efetivamente trazer para a Paraíba o que o povo espera: investimento, recurso, geração de emprego, renda e melhoria da qualidade de vida." Do governador João Azevedo, sobre conversa com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, que recebeu no Palácio da Redenção.

A prova

Adriano Galdino respondeu a Gervásio Maia, que apontou “pendências” que teria deixado no 1° mandato na Assembleia, exibindo extrato bancário provando que sucessor recebeu saldo de mais de R$ 17 milhões.

Verdade

E atacou: “Minha luta sempre foi e sempre será por uma Paraíba mais forte e mais justa para todos. E eu tenho convicção que só com o trabalho, verdade e transparência que vamos conseguir isso”.

Conluio

Adriano reafirmou que a reforma feita por Gervásio não resolveu problemas da Assembleia, e que defende um novo prédio para atender demandas: “Mentiras e conchavos não têm espaço na política atual”.

Paraíba 2020

O Correio Debate, da TV Correio, apresentado por Hermes de Luna, lançou o projeto “Paraíba 2020”. Serão entrevistas, debates, reportagens e coberturas de eventos que vão traçar cenário nos 223 municípios.

Quem é quem

Toda sexta-feira, a série vai projetar discussões importantes num ano decisivo para o destino da população dessas localidades. Mostrará desde preparação dos partidos até os embates em torno das suas propostas.

Imperdível

Hermes diz que o “Paraíba 2020” vai “enfocar não só as disputas paroquiais, como as curiosidades e as ideias que podem mudar a realidade das comunidades, envolvendo a sociedade num grande debate”.

Zigue-zague

O ministro Sérgio Moro usou o Twitter para defender o seu pacote anticrime. Disse que as pessoas são vítimas de crimes e não podem virar “meras estatísticas”.

Disse mais: “O projeto acaba com as saídas temporárias da prisão para criminosos violentos. A lei tem que estar acima da impunidade e tem que proteger as pessoas”.

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