sábado, 23 de março de 2019

Lena Guimarães
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O efeito Moro

21 de novembro de 2018
A expressiva vitória de Jair Bolsonaro em razão da defesa de valores éticos e morais, e a ascensão de Sérgio Moro a superministro da Justiça e da Segurança Pública, impõem naturalmente uma nova regra para as relações políticas, para o que é permitido ou inaceitável em qualquer dos Poderes da República.

Onde há simetria, o assimétrico fica muito evidente. Por isso, há expectativa de que a mudança que inevitavelmente ocorrerá no Executivo, chegue depois ao Legislativo renovado pelas urnas.

Também é esperado que tenhamos um Judiciário mais técnico e rigoroso no que diz respeito aos casos de corrupção e abuso de poder político e econômico, seja para enriquecimento pessoal ou com objetivos eleitoreiros.

Se o exemplo de Sérgio Moro prevalecer – o da integridade e da competência que levou e está mantendo poderosos da política e da economia na cadeia -, será uma péssima notícia para quem aproveitou mandatos para financiar projetos de poder ou pessoais com dinheiro público ou de propina.

Com a equipe da Lava Jato – Maurício Valeixo, Érika Marena, Rosalvo Franco e Flávia Maceno, agora o time do Moro - com todo o conhecimento que tem dos mecanismos de desvio e lavagem de dinheiro, comandando a Polícia Federal, não será fácil esconder a pilhagem. Nem mesmo em banco Chinês.

A Bíblia que Jair Bolsonaro segue adverte em Lucas 12:2 que “nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido”.

Tudo indica que entraremos em período no qual as célebres trocas de favores na política perderão força. Novamente: se todos faziam, não era exceção, era a regra, assim como o silêncio da conivência.

Também pode não ser bom para os que usaram os recursos da lei para adiar julgamentos de processos, seja nas áreas civil, criminal ou eleitoral. Com tantos prestando atenção, será complicado conseguir remissão. O risco da exposição aumenta exponencialmente.

Os ‘diferentes’ de Moro vão ficar sob os holofotes. Agora, há mais do que esperança, há probabilidade de um freio na roubalheira.

Torpedo

"A bancada do PSDB vai apoiar maciçamente as reformas. Então, não é um apoio ao governo e a tudo que o governo verbaliza, mas a agenda do governo, de mudanças, que entra em sintonia com o que a bancada tem se comprometido" (De Pedro Cunha Lima (PSDB), confirmando que mais da metade da bancada tucana na Câmara deve apoiar a agenda do futuro Presidente)

Critério

Julian Lemos escolheu profissionais conceituados para o Conselho de Transição de Bolsonaro: o primeiro foi o procurador Sérgio Queiroz; o segundo é Tárcio Pessoa, ex-secretário de Planejamento da Paraíba.

Mais um

Lemos também indicou para o grupo de Desenvolvimento Regional, que coordena, o advogado Nildo Moreira Nunes, que é especialista em Direito Público e já integrou duas vezes lista para compor o TRE.

Bateu?

O governador Ricardo Coutinho devolveu, como de praxe, a crítica do prefeito Luciano Cartaxo, que considerou como interferência indevida sua participação no debate sobre a nova Mesa da Assembleia.

O que?

Ricardo aconselhou Cartaxo a não se preocupar com o que não lhe diz respeito. Depois, orientou-o a “tomar muito cuidado com as peripécias que existem dentro da Prefeitura”, prevendo que “vai se dar mal”.

Dose extra

Arremate de RC: “Eu só lamento porque todos esses factoides servem para tentar encobrir a anemia administrativa que infelizmente a Capital de todos os paraibanos passou a ter quando ele chegou no governo”.

Pauta do NE

Os governadores do Nordeste, os reeleitos e os eleitos, vão se reunir hoje para definir a pauta que levarão ao presidente Bolsonaro no dia 12 de dezembro. Segurança, emprego e retomada de obras são prioridade.

Zigue e Zague

A procuradora Luciana Loureiro (MPF) entrou com ação contra o acordo do Mais Médico. Diz que há “vícios de legalidade, finalidade e motivação”.

Explica que o plano de trabalho não tem metas, estratégias ou resultados a serem atingidos, e que nas prestações de contas não consta as despesas pagas.

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