quinta, 13 de dezembro de 2018

Edinho Magalhães
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O Dia Depois de Amanhã

23 de setembro de 2018
Em nossa última coluna comentamos sobre o efeito “Bolsomito nas ruas” e algumas razões que teriam levado boa parte da população a apontá-lo como uma espécie de ‘salvador da pátria’. É impressionante a convicção de grande parte desses eleitores em relação a‘estratégia’ de votar e eleger Bolsonaro com esse intuito. O argumento geral é o de que “precisamos de um choque de mudança”. Uma ‘virada de mesa’ porque a ‘corda esgarçou’.Não haveria mais confiança em nenhum outro candidato, político, ou partido, apesar de Bolsonaro não ser exatamente um out sider.

Se por um lado o movimento surpreende pelo seu tamanho (feito de adesões espontâneas, sem mortadelas, promessas de emprego ou de ‘bolsas’), por outro, impressiona também pela ingenuidade de se atribuir, a uma única pessoa, a guinada que precisamos na política brasileira. E se não for ingenuidade, então é algo pior. É até compreensível a intolerância das pessoas com relação a tantas coisas erradas e o desejo urgente de mudança, porém, é preciso uma lente de aumento no consciente coletivo para enxergar o que nos parece óbvio: o problema é o sistema! “Os Sistemas”, aliás: Político, Eleitoral e de Governo.

De uma forma mais simples: entende-se por ‘sistema’ as regras perversas do jogo; as negociatas de bastidores que formam o ‘modus operandi’ dos políticos, e de seus partidos, num ciclo vicioso de se manter no poder. Por esse raciocínio, dificilmente teremos resultados diferentes mudando apenas os jogadores se as regras do jogo forem as mesmas! É preciso, pois, mudar o sistema que “conduz” as eleições, “decide” as regras políticas e se quiser “trava” um governo.

Seria ingenuidade, então,achar que uma só pessoa conseguirá mudar esse cenário. “Especialistas em Brasília”, que acompanham os bastidores do Congresso Nacional e do Planalto há décadas, explicam que é preciso usar o sistema contra o próprio sistema. Como um vírus que age “de dentro para fora”. Portanto, não seria producente bater de frente com ele; seria mais inteligente “comer pelas beiradas”, criando um conjunto de regras que formem um novo ordenamento que seja apoiado por diversos setores da sociedade civil organizada, por órgãos de fiscalização e controle (lava jato incluída), e pelos principais vetores da imprensa nacional.

E detalhe: essa mudança não se executaria da noite pro dia: “deve ser feita paulatinamente, de forma consistente e duradoura, ao longo de todo o mandato de 4 anos”.

Por essa linha de pensamento fica claro que precisamos muito mais ‘do que o mesmo de antes’ e muito mais que uma série de discursos cívicos e patrióticos. É preciso saber fazer! É necessário racionalidade, equilíbrio e experiência. Coisa que atualmente os dois candidatos melhor avaliados nas pesquisas, infelizmente, ainda carecem bastante.

Mas vamos lá. E se amanhã o movimento das ruas for vencedor nas urnas... Como será o dia depois de amanhã? Como Bolsonaro irá mudar o Brasil? Eis a pergunta que não quer calar.

Convite para Debate

O titular da coluna foi convidado a participar do debate entre os presidenciáveis em São Paulo, no próximo dia 26. Estaremos no evento promovido pelo site UOL e o jornal Folha de S. Paulo.

CPI dos Planos de Saúde

Vem aí a CPI dos Planos de Saúde. Por iniciativa da senadora Lídice da Mata (PSB-BA) o Senado da República deverá instalar uma CPI para investigar os constantes reajustes dos planos de saúde, gerando protestos de vários consumidores. O requerimento de criação da CPI já tem 27 assinaturas necessárias e deverá ser instalada em outubro.

CPI dos Planos de Saúde 2

De acordo com a senadora, a criação da CPI é importante para se saber “quem é que pode fiscalizar e quem é que regula os preços dos plano no Brasil”, pois, segundo ela, “tem muita gente enriquecendo e pouca gente tendo acesso à saúde de qualidade”.

CPI dos Planos de Saúde 3

O paraibano Paulo Rebello, chefe de gabinete do Ministério da Saúde, acaba de ser indicado para compor a diretoria da ANS – Agência Nacional de Saúde, e em seu discurso, na sabatina do Senado, prometeu “dar mais transparência” à política de reajuste de preços dos planos.

Ministro Boquirroto

Um cientista político de Brasília comentou com a coluna a tendência de verborragia do novo presidente do STF. “Ele teria se exposto ao responder criticas do candidato Bolsonaro sobre a eficiência das urnas eletrônicas, quando não mais preside e nem compõem o TSE”.

Pegou Mal

Com a manifestação em defesa das urnas, Dias Toffoli lembrou que estava na presidência do TSE quando se levantou dúvidas quanto à lisura do processo eleitoral de 2014. E ainda fez com que o candidato do PT, partido vencedor naquelas eleições, saísse em sua defesa.

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