domingo, 17 de fevereiro de 2019

Renato Félix
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O cinema brasileiro há 30 anos

06 de fevereiro de 2019
Há 30 anos vivíamos um ano eleitoral animado: era a primeira eleição presidencial brasileira desde a de 1960, que tinha acabado muito mal (elegeu Jânio e foi parar nha ditadura militar quatro anos depois). A de 30 anos atrás também não acabou nada bem, como todos sabemos.

A vitória de Collor foi bem ruim também para o cinema brasileiro: seu governo extinguiu a Embrafilme em março do ano seguinte e praticamente deu tiro à queima-roupa no nosso cinema. A produção de longas caiu a praticamente zero.

1989 marcou um derradeiro ano de uma produção ainda em razoável vigor, que só começou a ser recuperado lá pelos idos de 1995, com o sucesso de Carlota Joaquina dando início à Retomada.

E o que podia ser visto de cinema brasileiro em 1989? Carlos Diegues tentou uma estratégia de divulgação diferente para o bom Dias Melhores Verão, que foi exibido primeiro na TV para depois ser lançado nos cinemas. Uma muito boa comédia dramática que se apoiava nas atuações de Marília Pêra e Paulo José, tinha uma ótima participação de Rita Lee e se passava nos bastidores da dublagem.

O cinema policial compareceu com Lili, a Estrela do Crime, a história de Lili Carabina com direção de Lui Farias e com Betty Faria no papel. Outro no estilo foi Faca de Dois Gumes, de Murilo Salles, com Paulo José. Doida Demais, de Sérgio Rezende, abusava da sensualidade de Vera Fischer numa trama de perseguição. Filme de estrada também foi Jorge, um Brasileiro, sobre um caminhoneiro.

A superprodução do ano foi Kuarup, de Ruy Guerra, que se passava no Xingu e reunia um grande elenco, que incluía Fernanda Torres e Cláudia Raia, possivelmente o maior símbolo sexual do Brasil naquele momento. Os Trapalhões lançaram dois: A Princesa Xuxa e os Trapalhões e Os Trapalhões na Terra dos Monstros, nenhum entre suas melhores produções. O ano ainda teve dois documentários históricos: Que Bom Te Ver Viva, de Lúcia Murat, e o antológico curta Ilha das Flores, de Jorge Furtado.

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