segunda, 10 de dezembro de 2018

Roberto Cavalcanti
Compartilhar:

Noite iluminada

30 de setembro de 2018
Hoje é dia de bom astral. Vou fugir do rame-rame político-econômico e contar uma história, resultado de dois momentos especiais.

Time 1: estava dias atrás em um evento – a inauguração de um novo hotel em João Pessoa – acompanhando minha mulher, Sandra, que tinha participação no seu projeto arquitetônico. Após o blá-blá-blá de praxe, foi servido um coquetel esmerado.

O buffet contratado era top, por demais conhecido na Paraíba. Ao me servir, fui direto a uma salada de lagostas que tinha como elemento decorativo jambos rosa (syzygium samarangense), fruta originária do arquipélago Malaio e cada dia mais cultivada no Brasil, onde é comum o tipo vermelho.

Meu objetivo, para surpresa dos funcionários do buffet, não eram as lagostas. Pedi licença e abasteci meu prato com os jambos rosa. Foi um espanto geral!

- Doutor Roberto comendo a decoração? – brincou um deles, provocando muitos risos.

- De imediato fui reabastecido com mais jambos rosa, estes trazidos diretamente da cozinha para o meu prato.

Time 2: há 21 anos nosso colunista Abelardo Jurema realiza um evento denominado “Troféu Heitor Falcão”, no qual homenageia personalidades da Paraíba em todos os campos. Por mérito ou por ser copatrocinador, fui convidado a comparecer a grande festa, e com honrosa dupla homenagem: como empresário da comunicação e colunista, e representando a AutoClub Honda.

Não poderia faltar. Para reforçar, pela manhã recebo telefonema do meu filho Roberto, pedindo para representá-lo. O suposto bom abacaxi cairia inapelavelmente nas minhas costas.

Sandra, ocupada com o evento CasaCor Paraíba, estava com compromissos agendados. Fui só. Eu e Deus, meu bom companheiro.

Ao chegar ao evento, iniciaram-se as luzes. De imediato reconhecido pelos funcionários da sede do renomado buffet, fui por vários abordado e logo comunicado que tinham reservado uma sacola com meus queridos jambos rosa, frutos de um pé do jardim da casa de Carmelita.

O gesto de atenção e carinho mexeu comigo. Jamais esquecerei!

Os funcionários, representados pelo profissional de nome Adriano, conseguiram atingir o meu lado sensível, que aprecia a simplicidade de um gesto.

Todos eles, enquanto eu circulava pelo evento, a mim se dirigiam confirmando a reserva/presente dos jambos rosa. Uma coisa linda, natural, espontânea.

Por que noite iluminada? Plagiando nosso inesquecível Luiz Augusto Crispim, repito que Abelardo é um iluminador de pessoas. Todos hoje reconhecem esse dom. A força do Correio, aliada ao talento do profissional, proporciona total brilho aos homenageados ao longo da história.

A maioridade do evento é fruto desse poder de iluminar. Eu que tinha, em um sábado à noite, partido para um evento de forma heroica, já me sentia superpremiado. E não foi só isso. A iluminação continuou.

Fisicamente solteiro – sem a companhia de Sandra – circulei por várias mesas e em cada uma fui enriquecido de forma especial.

Na de Damião Ramos, com sua fantástica cultura, recebi uma aula sobre a origem da palavra “cinismo”, título da minha coluna naquele dia, e que vai merecer um artigo específico.

Em outra, ao sentar fui abordado por um amigo sobre ainda não ter publicado um livro com uma coletânea dos meus artigos. Relatei que estava com intenção de fazê-lo, haja visto os constantes apelos neste sentido por todos que me leem.

Espontaneamente, e de imediato, ele me afirmou: “Nós patrocinamos”. Só não cai porque estava sentado. Noite iluminada!

Ao me despedir de alguns ao final da grande festa, ainda convidei um casal superamigo e vizinho de prédio para servir como Uber e levá-los de volta para casa. Companhias maravilhosas naquele retorno que seria solitário. E que foi iluminado.

Relacionadas