terça, 04 de agosto de 2020


Roberto Cavalcanti
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Noite de domingo

15 de fevereiro de 2020
Por anos a fio me concentro nas noites de domingo. Preparo-me fisicamente e mentalmente para cumprir o meu dia a dia semanal que estará se abrindo no amanhecer da segunda-feira. Faço com e por prazer, prefiro ficar em casa hibernando, exceto quando algo especial me atrai fortemente. Na noite do último domingo parecia o alinhamento de astros pela sua força atrativa.

Estava em jogo ter a capacidade, que adoro, de conciliar assistir dois grandes eventos ao mesmo tempo. Graças ao meu querido botãozinho de reverter canais tive sucesso e passei a noite e parte da madrugada nesse troca-troca.

Queria não perder de torcer pelo Brasil, mesmo solitário, diferente de outras ocasiões quando sempre tive a cumplicidade de algum dos filhos.

Tinha a minha disposição um cardápio de canais, optei por dois que estavam exclusivamente dedicados a essas transmissões por mim aguardadas.

O "Oscar 2020". Logo após às 20h já eram apresentadas cenas do tapete vermelho da passarela daquela premiação que por décadas tenho o prazer de assistir.

Por ironia do destino, no mesmo horário, ocorriam os jogos de futebol decisivos do "Pré-Olímpico das Olimpíadas de Tóquio". Dois grandes rivais do Brasil estavam em campo. O Uruguai, que disputava conosco na tabela de pontos, enfrentava a Colômbia hospedeira do evento.

Não adiantou torcer contra! Cumprindo seus objetivos bateu o adversário somando mais três pontos. Restava aos nossos garotos brasileiros apenas a vitória não se importando o placar. Era o Brasil estar ou não presente com seu futebol nas Olimpíadas.

Um olho no jogo e o outro no Oscar, assim foi a noite do meu domingo.

Quanto à sétima arte, a premiação acompanhei com menor grau de tensão. A plasticidade e a beleza presente em todas essas premiações me encantam.

Os dois eventos avançam. Com destino marcado não tenho outra solução que não seja compulsivamente fazer as minhas trocas de canais ininterruptamente.

Em noite de muita inspiração, jogamos um grande futebol. Vencemos nossos arqui-inimigos, os argentinos, com força e garra. 3 x 0 não espelhou o quanto fomos superiores em campo. Várias bolas na trave impediram um placar mais elástico. Houve até espaço para, fruto da juventude dos mesmos, ensaiar irresponsavelmente uma sessão de "olés".

Nesse vai e vem acompanhava o "Oscar", também torcendo pelo Brasil. Tinha muita confiança nas decisões da "Academia" que por anos me ensinou como deve ser a pontuação para fazer merecer a famosa estatueta.

Sempre disputadíssimas, todas as categorias são levadas ao palco e sempre a lógica ocorre. Nunca assisti uma película ser injustiçada. Quando, por vezes, temos essa sensação, lá no fundo a "Academia" agiu com sensatez, técnica e rigor.

Na categoria "Documentário" havia a presença entre os listados de uma peça brasileira. O que significa documentário em questão: "Gênero do cinema que se utiliza de arquivos históricos, entrevistas e imagens reais do fato documentado".

Na verdade, é um resgate histórico de fato acontecido e que tem obrigatoriamente que documentar o que realmente existiu. O produto em julgamento tem que, além de plasticamente ter um visual compatível com a sétima arte, não fugir a verdade. Caso contrário, deveria estar agrupado em filme de ficção.

Não adiantou a frenética torcida dos esquerdopatas brasileiros, de nada valeram os apelos ao mundo, em inglês, de tentar vender uma inverdade como documentário. No fundo, o que surpreendentemente havia era uma campanha para desacreditar o Brasil.

Na verdade, o time de quanto pior melhor se aplicou. Todos que mamaram nas tetas do nosso País e que agora estão desalojados dessas benesses deram as mãos como sempre.

Contando com um suposto beneplácito californiano, achavam que no grito, muitas vezes fino, trariam para o nosso país uma estatueta fraudada.

Tenso, assisti o desenrolar da premiação. Deus é brasileiro, e logo nos primeiros momentos do evento a categoria foi julgada. A farsa brasileira nem ao menos foi ressaltada.

Venceu, como não poderia deixar de ser, o rigor da "Academia". "Indústria Americana", esse sim, um verdadeiro documentário.

Dormi de barriga cheia, como diz o ditado. Dupla vitória brasileira.