segunda, 14 de outubro de 2019

Lena Guimarães
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Ninguém é de ninguém

19 de setembro de 2019
Veio do deputado Chió a declaração, percebida por muitos em silêncio, de que a oposição está ‘morta’ na Assembleia Legislativa após o racha ocorrido no PSB do governador João Azevêdo e do interventor Ricardo Coutinho. Segundo o parlamentar, que esteve em missão oficial na China, demonstra que o contato com a filosofia oriental lhe abriu os olhos e, consequentemente, a boca. Tem verdades a dizer e não quer usar a carapuça de omisso.

Corroboram com a declaração do governista convicto, as saudações e agrados de ainda oposicionistas que indiciam aproximação ao governador ou troca de lado no jogo político da Paraíba. Como a bancada de opositores vinha na batida do “samba de uma nota só”, em que centrava fogo em acusações ao grupo que elegeu o atual governador e (a preço de hoje) comandado pelo ex-mandatário, ficou sem munição ao vislumbrar a oportunidade de se agregar ao ‘dono da caneta’ no momento.

Não tem faltado adjetivos positivos a João Azevêdo, pós-racha, elevados pelos outrora/ainda/ex adversários nas urnas e no mandato. O modo diferente de tratar a administração pública com menos politicagem e mais políticas públicas tem, de certa forma, neutralizado os argumentos de quem centra sua atuação em ataques.

Na estrutura do atual governo - impactado pelas revelações da operação Calvário, delações e outros bastidores da campanha recente - diversos auxiliares mostram na prática que não estão pra brincadeiras e futricas politiqueiras com quem quer que seja. Muitos parlamentares de oposição têm se surpreendido com a presença de secretários e até mesmo com a antecipação de etapas.

Antes impossíveis, se tornam rotineiras as oportunidades em que auxiliares alçados ao primeiro escalão por Azevêdo fazem o contato direto com deputados para apoiar em ações dos mandatos, prestar esclarecimentos e até se desculpar por falhas. Marcação cerrada aos possíveis críticos e antecipação às medidas têm minado o campo, e os ataques ocorrem sem o efeito devastador pretendido pelos autores.

Como disse Chió e acrescentando o dizer popular: ‘a oposição fica morta nas calças’. Até o líder da bancada - o combativo, coerente e valoroso Raniery Paulino - tem sido, vez por outra, apesar de apontar erros da gestão (de olho no passado), obrigado a enaltecer qualidades de membros do governo que combate. Leia-se o episódio do roubo dos celulares. Teve apoio dos secretários João Gonçalves (Articulação Política) e Jean Nunes (Segurança) na recuperação dos objetos e do estresse motivado pela violência do assalto.

Pelo que se ouve, Coutinho não mentiu quando disse, na última campanha (recente mas tão atacada), que pedia voto para um governante melhor que ele. A oposição atesta que sim. A maioria dos paraibanos acreditou e espera que, ao menos nesse aspecto, o líder girassol confirme sua palavra.

(Por Damásio Dias)

TORPEDO

"A fala de Livânia [Farias] trouxe apenas um recorte de 2010. Imagine o que aconteceu em 2011, que foi quando a Cruz Vermelha começou a operar na Paraíba, teve meu voto contrário. A delação dela é capítulos"

Do líder da Oposição na Assembleia, deputado Raniery Paulino, sobre o susposto rompimento entre João Azevêdo e Ricardo Coutinho

Quem é quem

O deputado Arnaldo Monteiro deixou a pergunta no ar: “Com quem quem se identifica a oposição? Com João Azevedo ou Ricardo Coutinho? Não vejo identificação de nenhum dos dois com a nossa bancada”. E não tem mesmo.

Está feito

Desde que começou esse rame-rame do racha no PSB, que integrantes da oposição parecem ter enxergado uma salvação para os problemas... deles. Tem gente se escalando, literalmente, em busca de um lugar no girassol, ops, ao sol.

Vão chiar 1

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, ao falar sobre o projeto que beneficiava os partidos e aumentava o valor do fundo eleitoral para 2020, acredita que o não ‘reajuste’ vai gerar conflitos dentro dos partidos, mas é o valor possível no momento.

Vão chiar 2

Maia deixou claro que não se pode deixar de financiar as eleições, “mas também não precisamos de um valor que não seja razoável em relação pela qual passa o Brasil”. Todos têm que fazer sua parte. Ou não?

ZIGUE-ZAGUE

< O governador João Azevêdo apresentou ao secretário Roney Saggioro (Aviação Civil) o projeto para a construção do aeroporto de Patos, orçado em R$ 35 milhões, com contrapartida de R$ 10 milhões.

> Azevêdo também se reuniu com o ministro Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional) e levou demandas relacionadas às ações de segurança hídrica da Paraíba.

Sony Lacerda, Damásio Dias e Equipe CORREIO

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