sábado, 20 de abril de 2019

Roberto Cavalcanti
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Mulheres

09 de dezembro de 2018
Talvez instigado pela retumbante vitória de Daniella Ribeiro para o Senado Federal pela Paraíba, a quem tenho o privilégio de chamar de prima, resolvi mergulhar no tema. Agrego ao fato a importância de ser ela a primeira senadora eleita por nosso estado. Conversávamos antes do pleito sobre suas reais possibilidades e, acreditando em seu potencial, fui um dos que, pioneiramente, a estimulou. Não posso aqui elencar suas virtudes pessoais, seria nepotismo. Porém, não poderia deixar de enxergar o potencial do voto feminino tema em pauta.

Matematicamente, o eleitorado feminino é quantitativamente maior que o masculino. Discutimos como enfrentar o suposto tabu de que mulher não vota em mulher. Fato que não aceito, mas, de alguma forma, está comprovado pelos resultados históricos das urnas.

Tive acesso a um diagnóstico apresentado pela pesquisa “Prefeitas do Brasil” 2016/2020 do Instituto Alziras, no qual se evidenciam algumas constatações. Em um universo de 5.570 cidades, temos apenas 645 prefeitas. Soma-se também o fato de que apenas 7% dos brasileiros são governados por mulheres, e que 91% destas prefeitas governam cidades de até 50 mil habitantes, portanto, as menores.

Majoritárias percentualmente como eleitoras, são as mesmas minoritárias quanto a sua representatividade. Qualitativamente, elas têm indicadores consistentes, tais como 71% das prefeitas têm curso superior, 42% delas têm pós-graduação. Em um país carente de educação, considero um excelente perfil.

Evidencia-se um fato curioso no que diz respeito à faixa etária: 91% estão abaixo de 30 anos, demonstrando que está entre jovens prefeitas a força das suas presenças. Percebemos que a participação feminina também é minoritária nas câmaras legislativas municipais, estaduais e federal. Mesmo com uma legislação forçando a participação em mínimos 30% dos candidatos, os resultados eleitorais, com honrosas exceções, não têm privilegiado as mulheres. Cito, por exemplo, a pequena participação na próxima bancada estadual da Paraíba em 36 deputados, de apenas 5 mulheres. Na Federal, 11 a 1 para os homens.

Como cultuador da presença feminina nos quadros das empresas que participo, espero que estejamos passando por um processo de rápida transição. Discordo do diagnóstico apresentado pela pesquisa no tocante a atribuir o insucesso feminino nas suas trajetórias políticas a dificuldades para conseguir recursos financeiros para as campanhas e as complexidades estruturais nos grandes centros.

As redes sociais tiveram marcante presença nas últimas eleições, apagando, de forma definitiva, o argumento de falta de estrutura partidária, físico/financeira das campanhas. A vitória estonteante do candidato Jair Bolsonaro evidenciou que quando o povo quer não tem quem segure. De todos os candidatos, ele era o menos privilegiado pelas mídias convencionais e estrutura de fundo partidário.

Projeto para as próximas eleições municipais, em 2020, uma forte presença feminina como candidatas e uma gigante oportunidade de serem eleitas. Lamentavelmente, pela pesquisa, apenas 56% delas pretendem concorrem a novas eleições. Espero que, de forma diferente, possamos ter, no futuro, um Brasil se beneficiando desse grande potencial que é a participação feminina.

Roberto Cavalcanti. Empresário e diretor da CNI

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