quinta, 21 de março de 2019

Lena Guimarães
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Mudou o vento?

29 de dezembro de 2018
A relação do Governo do Estado com sua base na Assembleia Legislativa, que parecia voar em céu de brigadeiro, encontrou turbulência na última sessão da legislatura. Pelo placar de 19 a 9, o projeto de resolução que previa o voto aberto na eleição da Mesa Diretora da Casa, prevista para 1º de fevereiro, foi rejeitado.

Nove votos pela manutenção do voto secreto foram de deputados que não conseguiram renovar mandatos ou que ascenderam à Câmara Federal. Alguns ainda nutrem a esperança de encontrar uma brechinha para voltar ao Legislativo pelas mãos de João Azevêdo. O resultado da votação de ontem deixa dúvidas sobre a fidelidade.

O recado foi dado. O Governo tem e terá maioria na bancada, mas, para conseguir manter suas pretensões na aprovação de projetos, vai precisar de um pouco mais de poder de persuasão. Para alguns, não foi uma questão de derrota do Governo, mas a garantia do poder de barganha dos parlamentares.

Não resta dúvidas de que o mês de janeiro não será apenas de folga para os parlamentares. As tradicionais reuniões de Camboinha, em Cabedelo, e em outras residências de veraneio devem ser mais intensas este ano. Até a eleição das Mesas, que será casada - escolha dos dois biênios em votações sucessivas no mesmo dia - muita saliva será gasta.

Líder governista nos oito anos desse governo que se encerra, o suplente Hervázio Bezerra lamentou a reprovação do voto aberto e afirmou que os “traíras” ganharam uma sobrevida. Em fevereiro, ele volta como titular do mandato e é um dos cotados para presidir a Casa no segundo biênio.

Para o primeiro biênio, pode-se dizer que o grande favorito à presidência é o deputado socialista Adriano Galdino.

Com experiência marcante no Executivo em dois mandatos de prefeito e em secretarias estaduais, já foi presidente e teve o modo de administrar testado e aprovado por boa parte dos colegas na Casa e que estarão no eleitorado em fevereiro.

Adriano Galdino tem apoio de atuais e novos deputados. Sabe como conduzir a articulação, pois já teve essa missão dentro do Governo de Ricardo Coutinho. Ele é favorito ao ponto dos demais candidatos a comandar a Assembleia, só estarem se lançando na disputa pelo segundo biênio.

Ao assumir o cargo na terça-feira, João Azevêdo terá de usar um pouco mais de sua capacidade argumentativa para manter seus aliados na linha.

(Damásio Dias)

TORPEDO

"Tudo que foi idealizado, tudo que a gente pensou, conseguimos realizar. Sentirei muita saudade. Vivemos momentos intensos nessa minha passagem pela Assembleia Legislativa. Estou muito feliz, agradecido a Deus porque deu tudo certo."

Do deputado Gervásio Maia, ao conceder entrevista ontem, comentando os últimos momentos na Presidência e no mandato na Assembleia. Em fevereiro, assume na Câmara Federal.

Renovação

A escolha do delegado Jean Francisco Bezerra, atual executivo, para comandar a Secretaria de Segurança atende expectativa antiga dos delegados de carreira da Polícia Civil. Se trata de um profissional qualificado e que integra o quadro funcional da categoria.

Quem vai

A surpresa da nova lista de auxiliares do governo João Azevêdo foi a ausência de nomes de aliados que não conseguiram se reeleger nas eleições deste ano. Foram anunciados candidatos que não conseguiram vencer: Ana Cláudia Vital, Lídia Moura e Célio Alves. Mas ainda há cargos em aberto e todos esperam chance de ir ou voltar.

Confiança

A Controladoria-geral do Estado passará a contar no governo de João Azevêdo com a experiência do advogado sertanejo Bruno Wanderley, ex-juiz do TRE-PB. Quem também assume cargo no governo é o advogado Fábio Andrade, que comandará a Sudema.

Fechado

A Assembleia aprovou ontem o Orçamento estadual para 2019 no valor de R$ 11,8 bilhões, um acréscimo de 7,64% em relação ao ano de 2018. Foram apresentadas 403 emendas parlamentares, das quais duas foram rejeitadas.

Agora foi

Após uma semana de despedidas, o deputado Bruno Cunha Lima, deixou a Assembleia ontem ouvindo as lamentações pelo fim de sua primeira passagem pela Casa. A partir de fevereiro, deve emprestar sua experiência e capacidade produtiva a outras missões profissionais.

ZIGUE-ZAGUE

< A cerimônia de posse de Jair Bolsonaro, na próxima terça-feira, terá esquema especial para defesa aérea e o controle de tráfego aéreo em Brasília. Está autorizado o abate de aeronaves consideradas suspeitas ou hostis.

> Participante da equipe de transição do Governo Federal, o ex-secretário paraibano Tarcio Handel fez uma postagem ontem agradecendo a confiança do deputado federal eleito Julian Lemos em escalá-lo para a missão.

Damásio Dias e Equipe CORREIO

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