quarta, 17 de julho de 2019

Lena Guimarães
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Mudança na agenda

16 de junho de 2019
Desde que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre admitiu, em Campina Grande, que a tese da prorrogação dos mandatos dos atuais prefeitos e vereadores dificilmente prosperará, o movimento perdeu força e as lideranças e partidos na Paraíba já trabalham agendas com vistas a agradar eleitores e conquistar apoios para 2020.

A esperança dos prefeitos que não podem disputar reeleição – seja por estarem já no 2° mandato ou pordesaprovação da gestão – estava na PEC 56/2019, do deputado federal Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC), que para valer no próximo ano teria que ser aprovada nas duas casas do Congresso até 4 de outubro, ou um ano antes das eleições municipais.

O principal argumento dos defensores da prorrogação dos atuais mandatos é a economia com o custo da eleição, em momento de crise econômica. Depois, a unificação das eleições. Ao invés de a cada dois anos – numa os cargos municipais e na outra os estaduais e federais -, elegeríamos de vereador a Presidente da República a cada quatro anos.

Prefeitos que ficarão pelo menos dois anos sem mandatos – terão que esperar 2022 para tentar novo cargo - estavam entusiasmados com a possibilidade desse presente, mesmo sabendo que o tempo para aprovação da PEC era o maior entrave, seguido da reação de bancadas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, não simpáticas à ideia.

A declaração de Alcolumbre foi uma senha para mudança de postura dos prefeitos. O que vemos desde então são gestores preocupados em apresentar resultados para a população e anunciando projetos novos, pavimentando caminho para chegar ao eleitor e conseguir seu voto, seja para eles ou para os candidatos que apresentarão.

O tempo é inexorável. Em pouco mais de seis meses entraremos no ano eleitoral. Com pré-campanha permitida, os candidatos e os problemas e soluções para as cidades estarão na ordem do dia. Os prefeitos serão os alvos preferenciais de ataques, como ocorre desde sempre. Por isso o momento para consolidar imagem de realizador é agora.

Como as eleições municipais são importantes para os que sonham em disputar o governo, nelas vamos descobrir quem tem potencial para transferir votos e fortalecer posição para 2022. Por enquanto, as perspectivas dos dois blocos da política paraibana não estão claras. Os governistas vão depender do resultado da Operação Calvário. A oposição, de uma liderança com carisma e vontade de fazer a diferença.

TORPEDO

Uma pena que ainda temos gestores que ao invés de aplicar recursos na cultura, prefiram cortar os investimentos. Com planejamento, dá para se investir em saúde, educação, segurança e em cultura também.

Do deputado Eduardo Carneiro (PRTB), defendendo investimento na cultura como forma de fortalecer turismo, que gera emprego e renda.

Pressa. Prefeitos estão pressionando a bancada federal para que agilize votação de projetos que podem impactar positivamente finanças dos municípios, a exemplo do que prevê maior compensação com perdas com a Lei Kandir.

Dinheiro. Os prefeitos também querem pressa na votação da Emenda Constitucional 391/17 que prevê aumento de 1% no FPM de setembro, conforme compromisso firmado em abril, durante a Marcha dos Prefeitos.

Perdas. A preocupação dos prefeitos aumentou com a confirmação de redução das cotas do FPM,sendo 23,6% em junho e 19% em julho, e com a possibilidade, em razão do desempenho da economia, de outras quedas.

Tudo claro. O prefeito Romero Rodrigues lançou processo licitatório para nova etapa do programa ‘Ilumina Campina”, que instalará 35 mil pontos de iluminação públicae usina que vai gerar 1,2 megawatts de energia.

Tudo claro 2. “Vamos garantir modelo autossustentável inédito no Brasil, que vai permitir investimento sem comprometimento dos cofres municipais no nosso programa de eficientização energética”, festejou Romero.

Sincero. Adriano Galdino (PSB) não dá margem a dúvidas sobre suas posições: “Quem me conhece sabe que sou leal, sou da base do governo, mas não sou submisso a ninguém. Essa é minha maneira de fazer política”.

ZIGUE-ZAGUE

Após Bolsonaro afirmar que é “zero” a chance de demitir Sérgio Moro, o The Intercept divulgou “conversa” na qual recomendaria procuradores a rebaterem defesa de Lula.

Moro disse que não reconhece autenticidade e reiterou necessidade do material, “obtido de maneira criminosa”, ser entregue e periciado por autoridade independente.

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