sábado, 24 de outubro de 2020


Roberto Cavalcanti
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Montemor-O-Novo

21 de março de 2020
Quando aqui cheguei em 1969, vim Roberto Ribeiro. Assim era conhecido e chamado desde criança por toda a família, amigos e colegas. Meu pai, registrado apenas René Ribeiro, orgulhava-se do sobrenome e buscou de todas as formas me impulsionar como cidadão para honrá-lo.

Filho único, tinha em mim a rama masculina da sua família. Meu avô Jefferson Ribeiro poderia ter agregado o honroso e paraibano tronco de minha avó, Osias de Lucena, não o fez.



Único varão, carreguei por muito tempo a exclusividade Ribeiro como marca. Ao chegar à Paraíba, desconhecido por todos, ainda tentei me apresentar dessa forma.



Insucesso! Fui tragado pela força da dinastia familiar paraibana (Ribeiro Coutinho). Se não era nobre com Coutinho, não seria Ribeiro. Virei Roberto Cavalcanti na marra, para desgosto do meu pai.

Seguindo a teoria de "Darwin", da adaptação para sobrevivência e fortalecimento, abracei-me, sem hesitar, ao Cavalcanti de minha mãe.



Muito me honra esse tronco familiar de muitas histórias e tradições pernambucanas. Sempre vaidoso de ser um Cavalcante Dei Cavalcanti (com i) de árvore genealógica resgatada por minha prima Engracia (mesmo nome da minha avó materna).



É incrível a repetição dos mesmos nomes em meus ancestrais. Como exemplo, cito meu avô José Gaspar que era filho do bacharel Gaspar Cavalcanti de Albuquerque Uchoa, este filho do tenente-coronel Gaspar de Albuquerque Uchoa, do Engenho Quintituba, em Sirinhaém, litoral sul de Pernambuco. É infindável o número de Gaspar em minha família ao longo do tempo.



Na atualidade cito as Beatriz. Minha mãe, minha filha e minha neta. Está no sangue.



Meu Cavalcanti é dobrado, meu avô José Gaspar era primo da minha avó Engracia, coisas de família grande e de pombos.



Sempre em eventuais viagens a Florença-Itália sou de imediato identificado como Cavalcanti para minha glória. Tronco de Filippo Di Giovanni Cavalcanti, nascido naquela cidade, em 12-06-1525, e que aqui no Brasil entre 1558 e 1560 casou-se com Catarina de Albuquerque, filha de Jerônimo de Albuquerque e da índia tabajara Maria do Espírito Santo Arcoverde (Muyrã-ubi).

Sempre feliz com meu Cavalcanti de Florença, eis que recebo uma mensagem de Whatsapp da prima historiadora. "Primo, você sabia que pelo seu lado materno Cavalcanti você é descendente do doutor cirurgião Bartolomeu Colaço? Através do seu filho Antônio Simões Colaço, que veio morar no Brasil".

E aí?



"Temos no nosso décimo avô dois irmãos ascendentes do doutor Bartolomeu Colaço na nossa árvore com título Simões Colaço. Você poderá obter cidadania portuguesa através de certificado da Comunidade Judaica Portuguesa".



Era o que faltava. Ser descendente direto ou colateral de judeus sefarditas portugueses. Judeus de Montemor-O-Novo, cristão novo, séculos XV-XVIII, narrados no livro de Luis Jaime R. Martins, LEJ - Laboratório de Estudos Judaicos.

Sempre tive dentro de mim o sentimento que pelo lado Ribeiro isso seria real e plausível, porém, pelo
lado Cavalcanti nunca.



Surpresa total! No meu D.N.A. a carga portuguesa é por demais forte. Talvez seja por isso que atrai a mim e aos meus a arte da navegação e ter por Portugal um forte sentimento atávico.

Quanto a esta ligação familiar, está justificada a minha visão econômica.