quarta, 14 de novembro de 2018

Roberto Cavalcanti
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Ministro símbolo

08 de novembro de 2018
Na promulgação da Constituição Federal de 1988, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte Ulysses Guimarães fez um discurso memorável. “Não roubar, não deixar roubar, por na cadeia quem rouba. Eis o primeiro mandamento da moral pública”, proclamou.

Quem melhor do que o juiz Sérgio Moro para colocar esse mandamento em prática, para eliminar o que o fiador da redemocratização do Brasil, o Senhor Diretas chamou de “cupim da República” ?

Ele já provou que tem ética, pois condenou 140 poderosos da política e da economia, que certamente teriam como suborná-lo. Se todo homem tem um preço, o de Moro é impróprio para criminosos, mesmo os do colarinho branco.

Também demonstrou que é competente, pois quase a totalidade de suas sentenças foram confirmadas por Cortes Superiores. Os réus, sendo ricos e poderosos, contratam os melhores escritórios, com centenas de advogados procurando falhas que possam alterar os rumos dos processos. Não têm conseguido êxito.

Possui mais dois predicados louváveis: coragem – convive com ameaças que obrigam que receba proteção especial da Polícia Federal – e resiliência para adaptar sua vida e a da sua família ao que é possível, enquanto mira no interesse maior que é acabar com a impunidade dos que se acham acima do bem e do mal por terem patrimônio ou poder político.

Não foi sem razão que Sérgio Moro conquistou a admiração dos brasileiros e virou destaque no mundo. Entre os muitos prêmios que recebeu em universidades e outras instituições, o de “Pessoa do Ano” da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Nova York, ao lado de Michael Bloomberg, um dos homens mais bem-sucedidos da América.

Quem critica o presidente eleito Jair Bolsonaro por ter conseguido o melhor quadro para a função de exterminador de pragas como a corrupção e a violência?

Quem reage contra a aceitação, por Sérgio Moro, do convite para um cargo no qual terá condições de enfrentar problemas que comprometem, inclusive, a vida dos brasileiros?

Quem não deve, não teme, ensina a sabedoria popular. Moro é realmente uma ameaça para os que desejam a manutenção do ‘status quo’, do império da esperteza, da possibilidade de sobrevivência da cleptocracia que levou o Brasil à pior recessão da sua história.

Disseram até que Sérgio Moro condenou expoentes da política na Lava Jato para ser ministro. Ora, quando ele começou a atuar na Lava Jato, em 2014, a candidatura de Bolsonaro sequer existia. Vão precisar de um argumento no mínimo inteligente para colar qualquer marca negativa nele.

E a notícia ruim para quem sonha com um refrigério é que a juíza substituta de Sérgio Moro, Gabriela Hardt, tem o mesmo perfil e igual compromisso com a justiça.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, foi muito feliz quando disse que Moro seria a escolha da sociedade, por ser “símbolo da probidade e da competência”.

Para servir ao Brasil como ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro terá que pedir exoneração após 22 anos na magistratura. Aceitou “por um bem maior” – o primeiro mandamento da moral pública, conforme dito por Ulysses Guimarães.

Que bom ter um Presidente da República que nomeia independente de indicação política, e que escolhe não um amigo, mas o mais capacitado para dar resposta ao Brasil.

Roberto Cavalcanti. Empresário e diretor da CNI

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