segunda, 14 de outubro de 2019

Roberto Cavalcanti
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Mente humana

03 de outubro de 2019
Cabeça é tudo, dizia meu pai, psiquiatra René Ribeiro, ao longo de toda a sua vida. Referia-se ao equilíbrio mental, à estabilidade emocional, à razão, à saúde mental. Não conjecturava a dimensão e a velocidade criativa da mente humana. Em seu tempo, era inimaginável o que tenho tido a oportunidade de contemplar.

Sempre fui curioso sobre esse tema por razões diversas. Sou extremamente sensitivo. Muito pouco passa imperceptível por mim.

Sabe aquela sensação de comunicação através de alguma forma de telepatia com os nossos? Aquela frase que você constrói do nada ou do tudo, e no mesmo instante uma filha diz: “Pai, incrível! Estava para lhe dizer exatamente isso, agora”.

Ou então você pegar o telefone para ligar para alguém extremamente próximo e, no mesmo instante, ele toca e você, espantado, admite: “Estava ligando para você neste exato momento”.

Coincidência? Não, energia. Sinais elétricos emitidos pelos cérebros.

Recentemente, li matéria jornalística que me fascinou: “Facebook compra startup que lê a mente”. Tratava-se da compra da CTRL-Labs, sediada em New York, por US$ 1 bilhão. Essa empresa está entre um número crescente das que usam a neurotecnologia para conectar os pensamentos humanos a computadores.

A Neuralink, fundada em 2016 pelo presidente executivo da Tesla, Elon Musk, atua sobre a “simbiose humana com a inteligência artificial”.

Para mim, leigo total no assunto, entender os limites da inteligência artificial custa muito esforço.

Voltando à CTRL-Labs, ela agora vai se tornar parte da equipe Reality Labs do Facebook, que reúne os pesquisadores e engenheiros hoje encarregados de desenvolver óculos de realidade aumentada.

Veja agora como essa nova tecnologia vai funcionar: você possui neurônios em sua medula espinhal que enviam sinais elétricos para os músculos das suas mãos, dizendo a eles que se movimentem de maneira específica, como clicar um mouse ou pressionar um botão.

Essa conexão será aceita através de uma pulseira que permite às pessoas controlar seus dispositivos como uma extensão natural dos movimentos. É assim que nossas interações com a realidade virtual e a realidade aumentada poderão ser um dia.

Será capaz, em futuro muito próximo, de mudar a maneira como nos conectamos. “Poderemos fazer coisas que não contemplávamos há apenas cinco anos”, declarou o presidente executivo da CTRL-Labs, Thomas Reardon ao ‘Financial Times’.

Essa tecnologia difere das de outras empresas por usar apenas processos não invasivos, que não exigem cirurgias, concentrando-se no desenvolvimento de uma pulseira que lê os sinais elétricos do cérebro do usuário para mapear e movimentar o braço digital numa tela, mesmo que a pessoa não esteja se movimentando.

A pulseira vai decodificar esses sinais e traduzi-los em sinal digital, que seu dispositivo poderá entender. Vai captar suas intenções de modo que você poderá, por exemplo, compartilhar uma fotografia com um amigo usando um movimento imperceptível ou apenas a vontade de fazer isso.

Pulseiras que interagem com o cérebro? Onde isso nos levará? Se executivos, das maiores empresas de tecnologia do mundo, afirmam que há apenas 5 anos nada disso era previsível, como imaginar o infinito?

Se você será capaz de ler a mente humana, sem dúvida essa interação poderá ocorrer no caminho inverso. Vejam o risco futuro que correremos. Empresas, através de tecnologias na eminência de serem popularizadas, poderão influir em nossas mentes. Campanhas de marketing serão direcionadas diretamente aos cérebros humanos.

E as futuras campanhas políticas? Já imaginaram a invasão de privacidade? Se consigo ler cérebros, saberei o que querem. Saberão o que quero e como realmente penso. Será o fim dos depoimentos falsos. Não adiantará dizer que alguma coisa não é sua. Perigo para alguns...

Como sonhar é de graça, estou sonhando em um futuro próximo lhe enviar meus escritos na receita exata do seu sabor, de forma direta. Da Av. Pedro II para seu cérebro, sem intermediários. Aí, sim, fim do impresso.

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