quarta, 19 de junho de 2019

Renato Félix
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Mais meia hora de Oscar

27 de fevereiro de 2019
A obsessão da rede ABC e da Academia em encurtar a cerimônia do Oscar levaram à cerimônia mais sem graça dos últimos tempos no domingo passado. Certamente a mais sem graça que já vi.

E podia ter sido pior, se tivessem escorraçado três categorias para premiar durante os comerciais, como chegaram a anunciar (e voltaram atrás diante da indignação dos profissionais de cinema).

A questão é que esse problema do Oscar é insolúvel. O Globo de Ouro é mais divertido de assistir? Até é, mas o prêmio dos jornalistas estrangeiros em Hollywood, que adora uma celebridade, praticamente só premia atores. São seis categorias na área de cinema e oito na de televisão. Fora direção, roteiro e música não há qualquer atenção a qualquer outra área do cinema.

O Oscar, por sua vez, premia uma gama de profissionais, como maquiadores, figurinistas, o pessoal do som, dos documentários, dos efeitos, dos curtas. E não é para deixar de premiar nenhum deles, muito menos desrespeitá-los entregando seus prêmios durante os comerciais da transmissão.

Por outro lado, a cerimônia não pode ser resumir a pessoas subindo ao palco para agradecer, uma após outra, ao que se resumiu a cerimônia de domingo. É preciso celebrar o cinema, o grande cinema. O Oscar erra feio desde que limou da cerimônia o prêmio honorário pelo conjunto da obra, que já rendeu momentos inesquecíveis de homenagens a gigantes como Chaplin (em 1972), Kurosawa (1990), Fellini (1993), James Stewart (1985), Sophia Loren (1991), Satyajit Ray (1992), Stanley Donen (1997), Elia Kazan (1999), Mary Pickford (1976) e tantos mais.

Hoje, o prêmio é escondido do público, no Governor's Awards. Uma vergonha. Começou aí e, domingo, não houve sequer um clipe de grandes cenas do cinema que homenageasse alguém ou algum enfoque temático da sétima arte. É preciso mais meia hora para que se celebre o cinema? Então que seja.

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