quarta, 17 de julho de 2019

Roberto Cavalcanti
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Livrarias

23 de junho de 2019
“Bem-vindos, amantes dos livros, vocês estão entre amigos”. Essa frase poderia estar escrita em qualquer idioma do mundo e estaria apropriada em qualquer livraria do planeta. Porém, ela está em Londres e representa linda história dos novos tempos das livrarias.

James Daunt, ex-executivo da área financeira, fez seu nome administrando uma rede de livrarias em Londres. Hoje, um case de sucesso, com uma série de lances no segmento de livrarias que despertam atenção em todo o mundo.

Comandando a rede de livrarias ‘Waterstones’, transformou-a em uma poderosa organização totalmente distinta do que era havia 10 anos, quando quase fechou suas portas.

A ‘Waterstones’ se reinventou e provou que ainda há vida, e lucro, para as livrarias tradicionais em um setor dominado pela ‘Amazon’, grupo americano de comércio eletrônico.

Passo seguinte: comprou a velha e caótica livraria ‘Foyles’, na área central de Londres, transferindo-a de local na mesma rua, a Charing Cross Road, com uma nova formatação.

A ‘Foyles’ agora se apresenta com características de uma grande varejista contemporânea, com cafeteria, galeria e espaço para eventos, além do átrio, ponto de referência central em meio a cinco andares dedicados ao prazer da leitura.

Com gestão moderna e eficiente, cortou custos e alavancou o seu faturamento. Seus resultados surpreenderam e representaram uma ruptura revigorante, e até desafiadora, em relação à obscuridade que pairava sobre o negócio de venda de livros nos últimos anos.

Em seu último lance, aliado à gestora de investimentos ‘Elliott Managment’, dona da ‘Waterstones’, comprou nada menos que a famosa cadeia de livrarias ‘Barnes & Noble’ em um negócio de US$ 683 milhões. Arrebatou um conjunto de 627 lojas, a maior rede americana.

Impossível ir aos Estados Unidos e não conhecer uma loja ‘Barnes & Noble’. Tais lances reanimaram, pela sua ousadia e dimensão, um segmento que até recentemente parecia lutar pela sobrevivência. Mr. Daunt, sem dúvida, vai ter que executivamente fixar-se em sua nova sede, New York, dado ao gigantismo da operação.

Hoje, esse negócio que estamos falando exigirá uma perfeita gestão inovadora. Estamos tratando de 280 lojas da ‘Waterstones’, aliada agora às 627 lojas americanas da ‘Barney & Noble’. Seu maior concorrente, sem dúvida, será a ‘Amazon’, que tem 19 lojas físicas nos USA, e tive o prazer de assistir ao vivo a inauguração da primeira, em NY, no ‘Columbus Circle’.

Um novo mundo, que não apenas o digital, se descortina. “Hoje, parte dos leitores desejam curtir uma livraria, trazer seus filhos e divertir-se comprando um livro. Faça isso do jeito certo e os clientes vão aparecer e gastar”, diz Mr. Daunt.

Para os editores, essa é uma fantástica notícia, haja vista que a ‘Amazon’ é considerada por todos como uma parceira brutal.

Hoje se constata que o comércio eletrônico abriu o mundo aos livros. Em várias partes do planeta, as vendas e os lucros cresceram. As editoras informam o aumento de interesse pelos livros. Fica constatado que ler textos longos na tela não é uma experiência tão prazerosa quanto muitos imaginavam.

A ruptura digital acabou se mostrando mais benigna do que muitos pessimistas pensavam. O livro físico vem se mostrando resistente diante dos formatos digitais. Ao ler esta matéria, que aqui condenso, volto à minha Paraíba com o fantástico prazer em frequentar lojas com o charme da ‘Livraria do Luiz’, constatar a pujança campinense ao visitar a ‘Livraria Nobel’, exemplos, dentre outros, da garra e da resistência em manter de pé uma atividade empresarial que esteve à beira do descrédito.

Como me enriqueço com as extraordinárias convivências nesses locais. Tenho aprendido muito com todos, em uma fase que o ser me fez esquecer o ter.

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