quarta, 13 de novembro de 2019

Edinho Magalhães
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Julian: A crise no PSL

20 de outubro de 2019
O deputado Julian Lemos do PSL da Paraíba, vice-presidente nacional do partido, conversou com a coluna sobre a atual crise que está assolando a legenda, com o presidente da República em posição de confronto com o presidente da sigla, e colocando em xeque o futuro do PSL e do próprio Governo. Julian, que chegou a assumir a presidência nacional da legenda interinamente no mês passado, “em missão do partido”, revelou que não tem dormido nos últimos dias. Sobre a possibilidade do partido ficar menor e mais fraco com essa crise, ele disse: “Pode acreditar. O PSL vai ficar ainda mais forte. Não vão conseguir derrubar quem o PSL quer como líder. A gente manteve a postura e agora os deputados vão buscar sua independência”.

O presidente e a liderança

Sobre a atitude do presidente Bolsonaro em interferir na liderança do partido:“ficou feio demais. O presidente atraiu para si uma grande derrota fazendo pressão pra ‘emprenhar’ o filho dele na liderança, atacando e retaliando um a um”. A percepção que fica clara é que ao fazer o desejo dos filhos o Governo se torna cada vez mais inábil politicamente.

Peso das costas

Perguntado sobre o que achou do episódio, Julian disse que “tirou um peso das costas”. E esclarece: “agora não preciso mais explicar certas coisas que as pessoas já estão enxergando. A inabilidade dos filhos afasta o presidente dos aliados como o senador (Major) Olimpio e a Joice (Hasselmann) e destrói toda base que ele poderia ter. Eles (os filhos) se acham melhores que os outros. Chamam os deputados do PSL de ‘favelados’ e queremos ser respeitados”.

O partido e os deputados

Sobre a relação do partido com os parlamentares ele diz que “o PSL se tornou uma casa confortável para aqueles que zelam pelo partido. São livres pra falar e se defenderem”.

O PSL de Luciano Bivar

E sobre a briga com Luciano Bivar, Julian comentou que “Bivar sempre foi muito correto com seus deputados e com o presidente, mas o Jair não está sendo. Essa briga é desnecessária e desproporcional. Ele (Bolsonaro) diz que não tinha acesso a nada e eu sei que tem. Deputado do PSL não pode ser tratado como cachorro! Essa confusão só expõe a fragilidade do Governo”.

Alas internas

Questionado sobre a divisão interna do partido, Juian deu seu ponto de vista: “não existe uma ala ‘bolsonariana’ e outra ‘bivarista’: o que existe é uma ala que quer preservar o partido como ferramenta de governabilidade e que não abre mão do Jair”. E esclarece: “temos 53 deputados unânimes em apoiar o presidente no Governo, mas não são unanimes em apoiar o filho do presidente, quem tem maturidade não aceita isso. Somos leais, mas não súditos. A ala ‘olavista’, por sua vez, quer tomar o partido e isso não é decente e nem correto.”

A liderança

Sobre o ponto nevrálgico da crise, a liderança do PSL na Câmara: “Não concordo com as declarações de (Delegado) Waldir e penso que ele já não tem mais condições de ser líder. Mas não podemos desonrá-lo. Ele foi uma escolha que teve a participação do próprio filho do Bolsonaro lá atrás e agora não pode ser simplesmente descartado como querem fazer”. E sobre o futuro Juian fez segredo: “o mandato do Waldir vai acabar em poucos meses e iremos escolher um novo nome. Estamos estudando”.

A liderança 2

Já sobre o líder do Governo na Câmara, major Vitor Hugo, Julian foi direto: “mais atrapalha do que ajuda, não é líder, não tem habilidade nenhuma de diálogo, foi colocado na liderança do Governo por imposição”. E foi além: “veja o Governo no Parlamento: está ficando à deriva sem aliados, sem base, sem apoio. Os deputados não votam com o Governo por causa do líder, mas por causa da agenda que a gente sempre defendeu. O próprio presidente tem dificuldade de articulação e as pessoas que poderiam ajudar ele afasta pela própria interferência dos filhos”.

Julian e Jair

Perguntado se ele tem alertado o presidente Bolsonaro, Julian disse que sim: “Falei com ele. Duas vezes. Queria justamente evitar o que está acontecendo agora por causa de algumas declarações. Disse que o grupo tem que se manter unido e evitar a sangria”.

E ele te ouviu? – “ouviu. Mas pelo jeito, depois parece que esquece.”

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