domingo, 15 de setembro de 2019

Lena Guimarães
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João garante o discurso

21 de agosto de 2019
A decisão do governador João Azevedo de não usar o governo para dar troco aos responsáveis pelo golpe que sofreu no PSB, recebeu a aprovação de alguns deputados que estão divididos entre sua liderança e a de Ricardo Coutinho. Temiam ter que escolher agora um dos lados, quando estamos a pouco mais de um ano do processo eleitoral municipal e o apoio do governo pode fazer até mais diferença do que o dinheiro do fundo eleitoral, o que seria desastroso.

A escolha de João também foi pensando no futuro. Como não cometeu nenhum ato de infidelidade, de falsidade e traição contra seu aliado Ricardo Coutinho, decisivo em sua vitória, cuidou de evitar qualquer situação na qual a carapuça lhe coubesse.

Emblemático foi seu questionamento: “Alguém acredita que alçar o dirigente de meu partido à condição de secretário é motivo para uma crise? Evidentemente que não é motivo, mas quem tem que dizer o que houve é quem começou essa disputa”.

Foi o mesmo que dizer: “afasta de mim ele cálice. Traição não está na minha história”. E quem não lembrou do ex-prefeito Luciano Agra, como exemplo do estilo Ricardo Coutinho de conviver com seus aliados e principalmente apadrinhados.

Respeitado arquiteto, pessoa cordata e gestor atuante a partir do momento da renúncia de Ricardo Coutinho para disputar o governo em 2010, o ex-vice prefeito Luciano Agra era candidato a reeleição. Teve um momento de vacilo e não foi perdoado. Tentou retomar a candidatura e ouviu-se que merecia umas “palmadas”.

Rompeu. Como não tinha mais tempo de procurar outra legenda, apoiou o então candidato Luciano Cartaxo. Disse na TV que votar no então petista seria o mesmo que votar nele. Derrotou Ricardo e sua candidata, Estela Bezerra.

Outro exemplo é a vice-governadora Lígia Feliciano (PDT). Ele anunciou aos quatro ventos que não seria candidato a Senador porque não confiava entregar o governo a ela. Tentou levar Daniella Ribeiro (PP) para ser a vice na chapa do PSB, como não conseguiu, aceitou a trabalhista, pois seu partido tinha bom tempo de TV.

Ao evitar portar-se como um “Golias” diante de um “David”,  e considerando esse histórico, João distancia-se da pecha de ingrato ou desleal. Está jogando para que, se houve rompimento, o vilão não seja ele.

TORPEDO

"O desenvolvimento da Paraíba passa por essa unidade do PSB e o sucesso do governo João Azevedo também. Por isso, vou atuar com esse propósito e acho a posição do governador de não misturar os papeis muito prudente e coerente." Do deputado Jeová Campos reconhecendo que há uma crise no PSB, mas apostando em solução pelo diálogo.

Bruxa solta. Em 14 de agosto de 2018, a Justiça afastou o prefeito Dinaldinho Wanderley (Patos), acusado de corrupção pelo MPF. Assumiu o vice, Bonifácio Rocha, que renunciou apenas seis meses depois, em 4 de abril.

Número 4. Foi convocado o presidente da Câmara da cidade, Sales Junior, que ontem, com apenas quatro meses no cargo. também renunciou. E Patos terá seu quatro prefeito em menos de um ano.

Pressão. Sales Junior deixou claro na carta renúncia que não aguentou pressão dos colegas da Câmara, e que para ter paz, preferiu entregar o cargo. O deputado Nabor Wanderly não esconde que o “momento é preocupante”.

Protesto. Associações dos Magistrados, do Ministério Público e das prerrogativas dos Delegados da Polícia Civil da Paraíba realizaram, ontem, ato público contra Lei de Abuso de Autoridade em quatro cidades do Estado.

Protesto 2. Como acontece em todo o País, os responsáveis pela Segurança Pública e pela Justiça estão preocupados com a inversão de valores contida na proposta, que criminaliza suas ações e defende direito dos criminosos.

Justiça. O TJPB manteve sentença que condenou o Município de Areia a pagar por danos morais a Dilza Sena, que teve nome inserido no Sagres como beneficiária de quantia oriunda de contratos administrativos inexistentes.

ZIGUE-ZAGUE

Rodrigo Maia enxerga fusão no futuro do DEM e PSDB. Ele disse que as últimas reformas políticas obrigam “reorganização partidária”. Aposta de 3 a 5 partidos fortes.

Novo balanço da Lava Jato- PR: 101 denúncias contra 445 pessoas; 159 réus condenados a 2.249 anos; acordos asseguraram devolução de R$ 14 bilhões. Terror dos corruptos.

 

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