terça, 13 de novembro de 2018

Lena Guimarães
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Intimidação

25 de setembro de 2018
Durante o primeiro debate dos candidatos ao Senado, no início do mês, a deputada Daniella Ribeiro (PP), única mulher disputando o cargo, além dos experientes concorrentes enfrentou um ataque disparado pelo perfil “Comédia_Ninja”, que teria usado o Twitter para tentar desestabilizá-la em momento importante da campanha.

O anônimo por trás do perfil alternava críticas preconceituosas com pedidos de “nudes”, e chegou a publicar uma foto de uma mulher com o roupão aberto e a região dos seios desfocada. Passou no filtro do Twitter, que deleta imagens que considera ofensivas.

Para o advogado Diego Albuquerque ficou clara a intenção de comprometê-la eleitoralmente. Em nome de Daniella, levou o caso à Justiça, que descobriu não apenas quem alimentava o perfil anônimo, mas que rede de Wi-Fi usou no momento dos ataques: a de um órgão público estadual, a PBTur.

O advogado mostrou o despacho do juiz federal Emiliano Zapata de Miranda Leitão que identifica Ary Washington da Silva Junior como o anônimo. Seus vínculos atuais com a PBTur ainda estão sendo investigado, bem como se atuava a serviço de alguma candidatura.

A pedido da candidata, o advogado disse que levará o caso à Polícia Federal, ao MPF e ao Ministério Público Eleitoral, para que tudo seja apurado e o cidadão responsabilizado conforme a lei.

Se a intenção era calar a candidata durante o confronto com seus adversários, não conseguiu. Mas ela admite outro prejuízo: o comprometimento de sua imagem, em razão do que foi publicado. Depois que sai, que é comentado e até reproduzido, difícil dimensionar o dano.

Daniella fez a revelação durante sabatina na OAB-PB, quando enaltecia a importância do advogado para a democracia. Entre os exemplos que citou, estava o ataque que sofreu.

Recebeu a solidariedade do presidente da OAB-PB, Paulo Maia, que fez questão de afastar alinhamento político e focar apenas na “conduta”. Disse que foi “atitude vil, nefasta e nociva ao processo eleitoral democrático”.

Graças ao trabalho da Justiça Eleitoral, Daniella expôs o ataque. Não fez acusações sobre uso de bem público contra opositores, mas deixou a palavra com o governo.

Torpedo

"O ofensor tentou usar a minha condição de mulher para me atacar. Não sabe ele que sou uma mulher forte, determinada e conhecedora dos meus direitos. Tentou me intimidar, mas não me acovardei. Quis me calar, não me calou. " (De Daniella Ribeiro, candidata ao Senado, ao relatar em sabatina da OAB ataque que sofreu via rede social e identificação do agressor pela Justiça.)

Reação

Para o presidente da Câmara da Capital, Marcos Vinicius (PSDB), é “inadmissível” que um homem use anonimato para agredir especialmente mulher nas redes sociais. “Chega a dar náuseas”, lamentou o vereador.

Sai da frente

O prefeito Luciano Cartaxo (PV) não poupa os adversários do irmão, Lucélio, nessa reta final de campanha. Ontem disse que José Maranhão (MDB) “representa o passado” e João Azevedo (PSB) é a “mesmice”.

Tem mandato

Sobre Maranhão, destacou que como já governou por 10 anos, e que “nao foi por falta de tempo que não deu para fazer o que queria”. Depois, lembrou que ainda tem quatro anos no Senado para ajudar a Paraíba.

Eficiência?

Cartaxo foi ainda mais duro com João Azevedo. “É o continuísmo do governo que falhou”. Citou como exemplo a Educação e a reprovação no IDEB, e a Segurança que virou manchete nacional após ataque no PB-1.

Alternativa

O prefeito defende o voto em Lucélio como a escolha por um “novo modelo de gestão humanizada, que faz obras, investimentos e cuida das pessoas”. E se precisar pedir apoio a esses adversários para o 2° turno?

O dever

O senador Cássio Cunha Lima suspendeu a campanha pela reeleição por dois dias. Sendo vice-presidente do Senado, teve que assumir o comando da casa, já que o presidente Eunício Oliveira, viajou para fora do País.

Zigue e Zague

Em encontro em NY com empresários organizado pela Brazil-U.S. Business Council, o presidente Michel Temer rechaçou possibilidade de retrocesso no Brasil.

“Não há nenhum risco de violação dos princípios institucionais no Brasil. Não há risco de retorno a um sistema autoritário, não há absolutamente nada disso”.

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