sábado, 23 de fevereiro de 2019

Roberto Cavalcanti
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Intermares

20 de dezembro de 2018
Todos temos o direito de sonhar. Sempre afirmo que sonhar não tem preço. Já que sonho é grátis, pode até sonhar grande. Dimensiono meus sonhos dentro de uma realidade possível. Meu instinto de autodefesa é grande, sonhando-se dentro do possível não haverá frustrações, sonhos não vividos. Para materialização de um sonho, muitas vezes aguardo décadas, sou persistente. Há exatos 50 anos, sonhei que na Paraíba poderia realizar alguns deles e assim fiz.

Retirante de Recife, deixei minha terra natal sem olhar para trás. Não tinha essa história de feijãozinho para demarcar a volta. Saudades? Claro! Família, parentes, amigos da infância até a faculdade, companheiros da vela, do automobilismo, da aviação, da vida como um todo.

Foram mais de duas décadas consolidando o atavismo.

Como muitos, olhava o meu entorno e sonhava com a evolução da terra que adotei. Nunca perdi minhas referências de paraísos distantes: Mônaco, Barcelona, Lisboa, Miami, São Francisco e até a Barra da Tijuca.

Um dia, em 1985, há 33 anos, surgiu um projeto que me encantou. Beira-mar, acesso rápido e direto ao trabalho, próximo da Capital, juntaria o útil ao agradável e dentro do mundo real. Intermares!

Um bem projetado loteamento a um passo das marinas onde sempre ancorei os meus brinquedos náuticos, uma bela enseada com uma praia eleita pelas tartarugas, natureza pura, a poucas braçadas de um paraíso náutico que é Areia Vermelha. Sonhos à vista!

Investi neste paraíso em potencial. Dizia sempre aos amigos que ali aconteceria uma nova “Barra”. Teria vida própria e estaria circundada do bom.

Anos depois, fui pioneiro ao lado de um grupo seleto de amigos, iniciando a construção de um condomínio vertical de duas torres em um projeto dos talentosos arquitetos Antônio Cláudio Massa e Hernani Henrique. Tudo o que desejamos.

Foi uma luta! Passamos pelas mãos de três construtoras para vermos em pedra e cal concluída a obra. Já era residente em Intermares com uma passagem em outro apartamento na mesma rua, de propriedade de minha mulher. Fui, por nove anos, inquilino doméstico. Muitos desejos não realizados.

O município de Cabedelo passava por um período em que não priorizou Intermares. Escrevi em 25 de julho de 2013 artigo no CORREIO DA PARAÍBA cujo título externava os meus sentimentos: “Direito de Entrar em Casa”. Nossa rua era intransitável. Fizemos de tudo e nada, abandono total do município.

Como na criação do mundo, um dia a natureza se fez luz. De repente, e nada mais que de repente, em apenas seis meses nosso bairro se iluminou. Vale a pena dar um passeio turístico por lá. Ruas impecavelmente pavimentadas e sinalizadas, construções brotando a cada canto, praças finalmente implantadas. O bairro hoje tem vida própria, temos um outro nível de comércio. Ver para crer, como se pode materializar aquilo que tanto sonhamos.

O segredo? Boa gestão, nada mais. Fazer acontecer de forma séria e competente.

Hoje torço para que os conflitos políticos não levem Cabedelo ao abismo. É inadmissível que possamos ter que reviver o abandono de um passado recente. Espero que, em futuro próximo, possamos ter paz política no município e que seja mantido o clima de boas notícias, fruto de uma gestão competente. Cabedelo, e Intermares em especial, não pode ter frustrados os nossos momentos de sonhos hoje realizados.

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