quarta, 18 de outubro de 2017

Roberto Cavalcanti
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Incompatibilidade

20 de agosto de 2017
Desde que Eva foi seduzida pela serpente para comer da árvore da Ciência do Bem e do Mal, e partilhou com Adão o fruto e a promessa de que seriam como Deus, foi estabelecido o confronto entre essas forças.

O primeiro casal tinha tudo no Jardim do Éden, mas mesmo assim o mal conseguiu convencê-los que não bastava; que para serem realmente felizes precisavam ser como Deus, seu criador.

O registro bíblico (Gênesis 3) mostra o preço que pagaram: foram expulsos do Paraíso e a partir de então tiveram que trabalhar para garantir sua sobrevivência, enfrentando todos os tipos de serpentes.

Literalmente suando e sofrendo, compreenderam que o mal não é óbvio. Pelo contrário, é inteligente, perspicaz, astuto, sutil, observador,  persuasivo, eloquente, insinuante, adulador, fino... Na aparência.

Sua essência, contudo, é enganadora, mentirosa, charlatã, farsante, vigarista, trapaceadora, invejosa, ambiciosa, gananciosa, arrogante e ciumenta. Se compraz com a queda, nunca com a ascensão de outros.

Baseado em minha experiência de vida, afirmo com convicção: o mal não convive com o bem. Existe uma incompatibilidade entre eles.

O mal assedia o bem incessantemente, mas tem um momento em que desiste.

O mal é tão prepotente que tentou até Jesus. Está em Mateus 4. Após 40 dias de jejum, teve fome. O “tentador” desafiou-o a transformar pedras em pães, a provar a proteção de Deus e depois ofereceu todas as riquezas do mundo, mas em troca queria ser adorado. Sua resposta foi ordenar a retirada de Satanás e reafirmar que Deus, a essência do bem, é o único que merece nossa adoração.

Tenho enfrentado e testemunhado a luta do bem contra o mal. A interior - as tentações representadas por hábitos não saudáveis, crenças e preconceitos – e a externa - a sedução do dinheiro fácil, do poder, das drogas, das baladas profanas, de uma mulher vulgar, de comidas e bebidas caras.

O mal fascina com futilidades. Por isso não logra êxito contra pessoas que optaram pela ética e por valores como honestidade, respeito ao próximo e pelo simples.

No nosso cotidiano, os assédios são corriqueiros. A vida é um permanente assédio. Cada vez que o mal percebe uma fragilidade no bem, ataca, oferecendo ilusões.

O homem é um ser social, mas admito que evito presença em ambientes onde a manipulação e a mediocridade estacionam para espalhar intrigas e comprometer reputações, tudo para conseguir poder ou dinheiro, de preferência ambos.

A intuição tem me protegido. E em termos comportamentais, inicia-se com os de casa, estendendo-se aos companheiros de navegadas, aos parceiros de cavalgadas, aos aventureiros de trilhas, aos heróis da resistência industrial, aos pilotos amantes da velocidade, aos implacáveis vendedores de veículos, aos geniais colaboradores da mídia, e aos que amam voar.

Minha neta Maria Beatriz me orienta e diz que se o inimigo - o mal -  tem um plano para nossa vida, Deus tem outro. Que devemos ficar atentos para, ao escolher entre os caminhos, discernir entre ilusão e realidade. O do bem, mesmo que as vezes seja espinhoso, sempre será nossa única opção.

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