sexta, 20 de setembro de 2019

Roberto Cavalcanti
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Ideologia cega! (2)

11 de agosto de 2019
Em 30 de março de 2017, escrevi neste mesmo local sobre um tema que, lamentavelmente, continua atualizado. Transcrevo parte do que disse.

“A longevidade tem algumas vantagens. Uma delas é o aprendizado sobre tolerância.

O tempo - com todas as experiências que proporciona e a paciência que impõe - exerce uma pedagogia realmente efetiva. Ensina, por exemplo, o sujeito a respeitar as individualidades, as crenças particulares e as peculiaridades (tão distintas) desse animal complexo e estranho que é o homem. Um aprendizado que passa pela consciência plena de que a verdade é relativa.

Não tenho a menor dúvida que uma das principais ferramentas de sobrevivência da humanidade - o que nos trouxe quase sãos e salvos até aqui - é a flexibilidade.

Você deve estar perguntando: onde a tolerância, mais a relatividade das coisas e a flexão das ideias encontram com a cegueira anunciada no topo?

Sem elas, a convivência ideológica seria uma missão impossível.

Não estou - claro - incluindo os alienados no debate (pois esses devem ficar onde originalmente vivem: à margem da prosa, da poesia e da história).

Refiro-me especificamente aqueles que exercem de forma consciente suas ideias políticas neste instante brasileiro tão delicado”.

Atentem que tudo que está escrito acima tem quase dois anos e meio. Será que nada mudou no Brasil?

Infelizmente, continuamos nos digladiando dentro de uma política de que devemos, sempre e ao máximo possível, atrapalhar o nosso País.

Nada vale para tirar o povo brasileiro de suas atuais dificuldades. Temos que ler e ouvir, todo o tempo, mensagens de desconstrução. Nada é positivo, tudo tem que ser desacreditado, destruído.

Cotidianamente, de forma ininterrupta, somos sombreados pela apologia do mal. Assistimos a uma batalha para que nada de bom se materialize. Tudo que é feito de certo ou errado, cai em uma vala comum.

O pequeno incidente é potencializado, a grande decisão é intencionamente escondida. O bom senso nos ensina que a radicalização leva à destruição. Queremos realmente inviabilizar o nosso País?

As reformas, para serem aprovadas, são transformadas em verdadeiros partos fórceps. Todos temos consciência de que o Brasil depende delas para se recuperar. As necessidades óbvias, reconhecidas por todos, quando postas em debate logo surgem os caçadores de destaques na mídia.

Desde o meu tempo no Senado, os entrevistados e realçados no noticiário foram sempre os do contra. Se houvesse o tempero da ideologia, tanto melhor.

É hora de darmos um basta. Vamos todos, juntos, torcer pelo Brasil. Sabemos o caminho a percorrer, temos consciência do que é certo ou errado. Não podemos aplaudir os que torcem pelo quanto pior, melhor.

Prego a tolerância que enriquece, porém, lamentavelmente, assisto à intolerância presente como a grande vitoriosa. Ideologia cega, já dizia eu em 2017.

Roberto Cavalcanti, empresário e diretor da CNI

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