quinta, 28 de janeiro de 2021


Hermes de Luna
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Gestões no fundo do poço

08 de janeiro de 2021
Os novos gestores, como já era de se esperar, fazem de tudo para mostrar disposição e agilidade para uma resolutividade mais ágil dos problemas que estão mais visíveis em seus municípios. Os desafios, porém, são bem maiores do que o marketing promete rebocar. O ano de 2021 será muito mais difícil do que 2020. Os recursos municipais não são suficientes para atender a tudo que a população deseja e nem aos projetos que os prefeitos almejam por em prática. Vivemos uma crise financeira e seu agravamento bate a porta.

Uma recente pesquisa da Fecomércio do Rio de Janeiro identificou que pelo menos 173 municípios paraibanos não conseguem se auto sustentar e pagar, com seus próprios recursos, as demandas administrativas necessárias à própria sobrevivência. Vez por outra, nos deparamos com uma discussão sobre a possibilidade de aumento do número de cidades pelo interior, a partir de aprovação de lei pelo Congresso Nacional. Para despropositada esse tipo de proposta.




A realidade é que a maioria dos municípios paraibanos vivem à beira da falência. São unidades administrativas que sobrevivem apenas para pagar uma folha de pessoal e cumprir os índices de repasses constitucionais em Saúde e Educação, que, por sinal, são obrigatórios. Não sobra um centavo sequer para investimentos.




Esta semana, a Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup) divulgou nota implorando para que o Governo Federal prorrogue o pagamento do auxílio emergencial. Alega a entidade que os prefeitos não têm condições de arcar com essa assistência. Na Paraíba, o auxílio emergencial injetou mais de R$ 1 bilhão.




É verdade que ainda estamos em plena pandemia, num repique de casos da Covid 19 e não apontamos ainda o Mariz para a porta de saída. Contudo, essa é a hora do planejamento para os gestores. Também é verdade que esse retorno à curva ascendente de internações por coronavírus foi estimulada, irresponsavelmente, pelas lideranças políticas que se enfiaram em campanhas insanas atrás de votos e colocaram em risco a cidade de milhões de brasileiros e milhares de paraibanos.




É hora de mostrar competência para indicar caminhos que tirem seus municípios do fundo do poço. Ficar esperando que um auxílio deixe de ser emergencial e se torne permanente e muito cômodo para quem foi eleito para apresentar soluções mais duradouras e assertivas. O assistencialismo institucional reduz os programas de transferência de renda à sombra de esmolas governamentais para uma larga faixa da população em maior vulnerabilidade. A esmola, ensinou Luiz Gonzaga, ou nos mata de vergonha ou vicia o cidadão.