domingo, 15 de setembro de 2019

Roberto Cavalcanti
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Geração de empregos

11 de julho de 2019
No último século, o Brasil teve seu perfil populacional fortemente modificado. Em 1900, éramos 17,4 milhões de pessoas; em 1940, 41,2 milhões, sendo que a população urbana representava apenas 30% do total. Em 1970, houve inversão do quadro, com a população urbana alcançando 55% do total.

Dados da PNAD mostram que a ocupação urbana alcançou em 2015 nada menos que 84,72% do total, contra 14,28% que continuam no campo.

Formatou-se uma inquestionável concentração nas grandes cidades do País, que atraiu contingentes de migrantes de todas as partes. O pressuposto básico era que nelas haveria empregos suficientes para todos.

O êxodo rural esvaziou os pequenos municípios. O fascínio das megacidades, com suas potencialidades de gerar empregos, está estampado no surgimento de grandes cidades, com ênfase nas capitais dos Estados. Quer ter carteira assinada? Vá para a Capital.

Nos últimos cinco anos, quando se agravou a crise econômica, ao contrário do esperado, foi boa parte das pequenas cidades que se destacou em meio ao desastre no mercado de trabalho nacional.

Em contraposição, nossas maiores cidades, a exemplo do Rio de Janeiro (RJ), -253.306; São Paulo (SP), -172.592; Belo Horizonte (MG), -89.551; Recife (PE), -74.577; Salvador (BA), -58.920; Manaus (AM), -53.273, registraram perdas e lideram a face cruel da crise do emprego.

No ranking nacional da geração de empregos formais, tivemos nos primeiros postos cidades fora do foco das megacidades brasileiras. Exatamente nelas, a crise passou ao largo, senão vejamos: Joinville (SC), +6.400; Quixeramobim (CE), +5.939; Goiana (PE), +5.794; Barcarena (PA), +4.613; Marília (SP), +4.176; e Medianeira (PR), +4.147, pela ordem, na lista dos melhores desempenhos.

Em nível nacional, 60% das cidades criaram vagas com carteira assinada nesse período de crise. Ficou evidente que quanto menor a cidade, maior a chance dela estar no segmento que teve saldo positivo. Constatamos isso com o fato de que, entre os 46 municípios com mais de 500 mil habitantes, apenas um - Joinville - obteve geração positiva de empregos.

O percentual de sucesso na geração de empregos chegou a 64% nas cidades com menos de 10 mil habitantes.

Todos sabem que por questões de origem sempre presto atenção a Pernambuco. Lá, encontrei um fato que merece destaque. Duas cidades tiveram comportamentos totalmente diversos. Uma, Goiana, situada na Zona da Mata Norte, com seus 79.455 habitantes, se posicionou em 3° lugar no Brasil na geração de empregos com carteira assinada. Não esquecer que estamos em uma disputa entre 5.570 municípios.

Já a cidade de Ipojuca, situada na Zona da Mata Sul, com seus 94.709 habitantes, se classificou entre os 10 piores desempenhos nacionais, pontuando em 7° lugar nesse ranking. Lembro ainda que sua capital, Recife, ficou com o 4° pior resultado nacional.

À primeira vista, poderíamos questionar o porquê. Ora, cidades com características semelhantes em nível de população (Goiana e Ipojuca) e localização geográfica, politicamente dentro de um mesmo Estado, o de Pernambuco, e igualmente coparticipantes das consequências de uma crise econômica que atinge todo o Brasil.

Qual a razão de quebrarem uma regra que se tornou evidente economicamente em todos os outros municípios? Nada mais, nada menos do que o nascedouro dos seus modelos empresariais de desenvolvimento.

Ipojuca, que à sombra de sua localização abriga o porto de Suape, teve sua base econômica focada em uma refinaria de petróleo, da Petrobras, superfaturada e que até hoje não teve suas obras concluídas. Tinha, também, a geração de empregos baseada em um estaleiro cujo modelo baseava-se em alimentar a corrupção, com inviáveis contratos de construção.

Por sorte paraibana, a histórica e vizinha Goiana (PE) teve como base do seu desenvolvimento a implantaçãoo de dois fantásticos empreendimentos da iniciativa privada, longe dos conchavos governamentais, de propriedade de grupos acima de qualquer suspeita e de potencialidade mundial: o grupo FCA (Fiat Chrysler Automobile), com sua fábrica de veículos Jeep, e o grupo Brennand, com sua gigantesca fábrica de vidros planos.

Aquilo que parecia ser injustificado, à primeira vista, teve desde a sua origem fortes razões para dar errado ou certo. Que esse exemplo sirva de modelo para o nosso desenvolvimento econômico paraibano futuro.

Viva quem acreditou e investiu na Zona da Mata Norte pernambucana. Sorte? Não! Visão estratégica.

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