quarta, 26 de junho de 2019

Lena Guimarães
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Euforia e fake news

12 de junho de 2019
A sabedoria popular ensina que “a pressa é inimiga da perfeição”. O deputado estadual Jeová Campos (PSB), na ânsia de atacar o ministro Sérgio Moro (Justiça) e o procurador Deltan Dallagnol (Lava Jato), fez um discurso na Assembleia propondo que fossem presos, usando como base uma fake news com “diálogos” entre os dois que foram decisivos para a primeira condenação do ex-presidente Lula por corrupção.

“Moro tem que ser preso e Dallagnol tem que ser preso. Agiram criminosamente contra a democracia. É impossível aceitar como uma coisa normal”, disparou o deputado de Cajazeiras. Não mudou o tom nem ao ser informado de que de tratava de fake news. Disse que nenhum dos dois desmentiu o que circula “na mídia”. Na verdade, veículos nacionais informavam ontem sobre a inverdade do diálogo.

Campos não foi o único a se precipitar. Muitos outros aliados do ex-presidente Lula entraram na onda. Não faltaram discursos nas duas casas do Congresso. Nas redes sociais, o caso também dividia opiniões.

Em entrevista, o ministro Luís Roberto Barroso (STF), chegou a admitir não entender “a euforia que tomou os corruptos e seus parceiros” a partir da divulgação das mensagens vazadas. Para ele, “a corrupção existiu e precisa continuar a ser enfrentada, como vinha sendo”.

E mais: “Todo mundo sabe, no caso da Lava Jato, que as diretorias da Petrobras foram loteadas entre partidos com metas percentuais de desvios. Fato demonstrado, tem confissão, devolução de dinheiro, balanço da Petrobras, tem acordo que a Petrobras teve que fazer nos EUA”.

A resposta de Sérgio Moro ao esforço para desmoralizá-lo foi aceitar ir ao Senado, na próxima quarta-feira, para falar sobre o vazamento e tirar dúvidas dos senadores. Lá, o PT tem bancada forte, a exemplo de Jacques Wagner, Paulo Paim e Humberto Costa.

Já Dallagnol reafirmou a imparcialidade da Lava Jato com fatos: só a equipe de Curitiba “acusou políticos e pessoas vinculadas ao PT, PMDB, PP, PSDB, PTB. Só a delação da Odebrecht nomeou 415 políticos de 26 diferentes partidos. Ou seja, a Lava Jato é contra a corrupção, seja quem for”.

O vazamento deu discurso aos investigados e seus aliados, mas até aqui não parece ter arranhado as imagens de Moro ou Dallagnol.

TORPEDO

"Estou tranquilo e confortável com o partido mas apenas às vezes prefiro não ir mais para essas reuniões porque é muita conversa, muita discussão e já tem muita conversa na Assembleia. É muita coisa, é muito moído e não aguento mais esse moído não" do presidente da Assembleia, Adriano Galdino, explicando no Correio Debate ausências em reuniões do PSB.

Honraria. O deputado Tovar Correia Lima (PSDB) propôs voto de aplauso e a medalha do Mérito Cultural para presidente do Sistema Correio, Roberto Cavalcanti, o mais novo membro da Academia Paraibana de Letras.

Merecida. “A eleição de Roberto Cavalcanti para a APL foi mais que merecida e o exemplo disso foi o número de votos que obteve, 28 dos 35. É homem culto, letrado e vai contribuir muito com a cultura do nosso Estado”.

Reforma. A vice-governadora Lígia Feliciano representou a Paraíba na reunião dos governadores com o Presidente da Câmara e o relator da reforma da Previdência, com o objetivo de garantir que inclua os Estados.

Reforma 2. Os governadores queriam o benefício da reforma, mas sem o ônus de apoiá-la publicamente. A ameaça de exclusão dos estados e municípios levou a essa reunião. Os deputados exigem apoio público e votos.

Reforma 3. Os governadores pediram a manutenção do BPC, aposentadoria rural e que as regras continuem na Constituição. Pediram que fique definido que Estados podem decidir sobre professores e forças de Segurança.

Virtual. O Pleno do TJPB deverá votar, hoje, Projeto de Resolução que institui e regulamenta a implantação da Sessão Virtual de Julgamento. Na última sessão, o projeto foi apresentado aos desembargadores pela Ditec.

ZIGUE-ZAGUE

Em reunião da Executiva Nacional com a bancada, o PSDB fechou questão a favor da reforma da Previdência. Como prometeu Bruno Araújo, desceu do muro.

José Medeiros (Podemos) pediu à PGR que investigue se houve venda de mandato de Jean Wyllys para David Miranda, e se Glenn Greenwald (The Intercept) deu dinheiro.

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