sábado, 20 de abril de 2019

Renato Félix
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Estão nos devendo

12 de dezembro de 2018
Ninguém pode negar que o circuito comercial de cinemas em João Pessoa deu uma boa melhorada nos últimos anos. O número de salas aumentou, mas também um espaço para o cinema mais off-Hollywood apareceu. O Cinépolis tem uma sessão do projeto Cinema de Arte, o Centerplex (no MAG) de vez em quando abre espaço, o Banguê apontou para uma diversidade maior ainda (lembrando que, no entanto, o cinema está parado há semanas, esperando a reposição de uma peça).

Ainda assim, o circuito teima em nos sonegar alguns dos grandes filmes que entram em cartaz no Brasil. Algumas omissões chegam a ser impressionantes. Apontando como um dos melhores filmes de Spike Lee e já aparecendo nas listas de premiações do ano, Infiltrado na Klan já corre o risco de não passar nas nossas salas. O filme estreou no Brasil no dia 22 e, aqui, nem sinal.

Mas Exterminadores do Além contra a Loira do Banheiro está aí nos cinemas locais.

O Paciente, filme que mostra um dos momentos nevrálgicos da História do Brasil, também passou batido. Othon Bastos é o presidente eleito Tancredo Neves, que é internado às vésperas da posse que poria fim aos nefastos 21 anos de ditadura militar. Sua agonia em momento que deveria ser de grande alegria para a população deixou a nação em choque.

Mas Crô em Família, na mesma época, passou.

Se é assim com filmes bem divulgados, imagine com documentários. Com o Banguê parado, um mundo de filmes ficou à margem do circuitão pessoense. Por exemplo, o ótimo Todos os Paulos do Mundo, que é sobre o ator Paulo José. Ou Histórias que Nosso Cinema (Nâo) Contava, filme elogiado que mostra como a pornochanchada encarava os duros anos da ditadura e passava mensagens que o regime não queria.

Ou seja, ainda é difícil a vida de cinéfilo por essas paragens. Vingadores é ótimo, mas nem só de Marvel pode viver um cinéfilo.

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