domingo, 16 de junho de 2019

Roberto Cavalcanti
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Enriquecimento

17 de março de 2019
Sempre fui um constante leitor de dicionários. Gosto de pesquisar palavras, muitas vezes em busca de um nome apropriado para uma empresa, um novo barco, e até para nosso artigo.

Busco o significado, a origem, os sinônimos e antônimos. Tal hábito é fruto de uma cultura, da boa herança do meu pai, René Ribeiro, professor de Antropologia e Língua Tupi - era assim que se chamava a cátedra que o mesmo ocupava na UFPE.

Já pesquisei muitas palavras no idioma indígena, sempre muito encantador, pelo prazer de conhecer mais sobre os povos tupi-guarani que habitaram nosso litoral.

Hoje, buscava a palavra ‘enriquecimento’. Era o sentimento que estava dentro de mim. Deparei-me com sinônimos para quatro distintos sentidos.

Para o sentimento de tornar rico, as alternativas eram “endinheiramento, locupletação e locupletamento”. Fugi rapidamente. Não era por aí.

Para expressar ato de tornar nobre, as opções eram “dignificação, enobrecimento e nobilitação”. Para o de tornar belo, poderia escolher entre “abrilhantamento, aformoseamento, alindamento, embelezamento, enfeite, ornamentação, ornamento e realce”, todos a cara de Sandra, minha mulher.

Por último, o ato de tornar maior e melhor, com “adição, aumento, desenvolvimento, engrandecimento, melhora, melhoramento, melhoria, progresso”. Finalmente achei o que buscava. Estava focado no enriquecimento humano, o que para mim tem real valor, não valor em reais.

Tudo é foco de visão nas nossas vidas e tenho buscado o aprimoramento pessoal nesses últimos tempos. Talvez o amadurecimento tenha arrefecido meu ânimo por aventuras esportivas, o incessante desejo de empreender e estar presente na evolução do pedra e cal.

O fato é que, a cada dia, busco o enriquecimento através da qualidade de com quem convivo. O Roberto, de calção de banho desde o amanhecer dos sábados, passou a se compor para frequentar o centro da cidade de João Pessoa, especificamente a ‘Livraria do Luiz’, trocando o ar livre por um bunker da literatura e cultura paraibana.

Como lamento nossa cidade culturalmente não estimular nos cidadãos o hábito de alimentar a mente através das livrarias, quando no exterior temos boas e centenárias livrarias que de tão famosas são verdadeiros pontos turísticos em seus países.

Falo de cidades como Lisboa e o Porto, que são nossas origens. Fico empolgado diante da ‘Bertrand Chiado’, fundada em 1732, em Lisboa. Impossível não se encantar na ‘Lello & Irmão’, no Porto. Constato uma Buenos Aires espanhola com verdadeiras joias, a exemplo da ‘El Ateneo Gran Splendid’.

Enquanto isso, na nossa histórica Paraíba, assistimos o fechamento de várias livrarias, com a transformação das mesmas em lojinhas de material escolar - lápis, borrachas e quinquilharias chinesas.

Que emoção toma conta de mim e me agiganta ao adentrar a ‘Livraria do Luiz’. Não sei se no meu subconsciente está o sentimento de resistência a um novo tempo. Não por ser retrógrado aquilo que é real, mas por entender sua importância, como a do Correio, que vem resistindo e proporcionando aos paraibanos o hábito de leitura. Talvez, lá no fundo, seja o elo que nos une.

Volto ao bom enriquecimento que a ‘Livraria do Luiz' me tem proporcionado. Sortida de tudo, obras literárias em todos os segmentos e gostos, charmoso bar-café com ótimo serviço e variedade de opções, do bom vinho ao estimulante cafezinho.

Onde, porém, se concentra a maior força do enriquecimento que lá encontro? No ser humano. Tenho construído - e me aplicado nisso - fantástico relacionamento com quem pensa, tem cultura e boas energias.

Estamos juntos aos sábados para partilhar. Só positivismo, só boas energias, respeito absoluto ao contraditório, valorização plena dos nossos conteúdos, todos investindo no ser e não no ter.

Tão simples que para os noviços dá até trabalho para encontrar, botija preciosa que tenho tido o prazer de desfrutar. Até o próximo sábado, lá.

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