domingo, 08 de dezembro de 2019

Edinho Magalhães
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Efeito Campina

12 de novembro de 2019
O ex-senador Cássio Cunha Lima foi convidado para o evento de inauguração do complexo habitacional Aluisio Campos em Campina Grande. E chegou atrasado. Intencional ou não, como alguns de pronto imaginaram, a chegada tardia foi o suficiente para roubar toda a cena do evento e mostrar ao presidente Bolsonaro que ele ainda tem popularidade. E muita.

Recado dado e compreendido. Bolsonaro o quis ao seu lado durante todo o evento: “e se não tivesse mais cadeira no palco eu ia oferecer a minha”. E vai continuar querendo. Sem conseguir dimensionar, ainda, o poder de reaglutinação de forças do ex-presidente Lula, que promete um périplo de viagens pelo Nordeste, ficar parado seria o pior movimento para o presidente. A luz amarela acendeu no Planalto e nada mais é por acaso.

Bolsonaro sabe tanto disso que está disposto a fazer o mesmo, intensificando agendas pelo Nordeste ao lado de líderes populares. Não interessa o partido. O “Efeito Campina” será replicado em outros Estados. E a estratégia é simples: “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, invertendo o jogo que o “centrão” faz hoje usando a esquerda contra o Governo.

Seria o início de um movimento do Planalto para construir, enfim, uma base no Congresso? “- Nem tanto”, comentou uma fonte palaciana. “Por enquanto algo mais personalizado e pontual, multipartidário, que o próprio presidente pretende utilizar em outras cidades”.

Mas quem também entendeu todos os cenários, foi o líder da maioria na Câmara Aguinaldo Ribeiro que sabe que sua cotação junto ao Planalto começou a se valorizar desde o evento da última sexta, 8. Com “Lula Livre”, os possíveis aliados precisam ser conquistados.

Não por acaso, uma agenda em São Paulo o tirou da mira de um encontro pessoal com Bolsonaro em Campina, transformando o que seria “políticos num evento” em um “evento de políticos”. Quem sabe, em Brasília, no Palácio, valorizando ainda mais o seu passe?

Afinal ,nada mais é por acaso. Não é?

Por Tabela

Sobre o mal estar criado quando da fala da vice Governadora Lígia Feliciano no evento de ontem em Campina, a coluna registrou o momento em que um membro local do staff explicava aos assessores do Planalto: “as vaias não são pra ela, mas pro Governo do Estado que na gestão anterior virou as costas pra esse projeto.

Na Lata

A única coisa “não por acaso” e já prevista no evento, foi a ausência do deputado Julian Lemos, que declinou (ou teria sido preterido) de convites. Pelas redes sociais criticou Deus, o mundo e mais alguém com seu estilo destemido.

Fora do PSL

E por falar em Julian Lemos o PSL deverá perder sua maior estrela. O presidente Bolsonaro pretende anunciar, na tarde de hoje, sua saída em meio a reunião com os deputados da Legenda em Brasília. Por enquanto deve ficar sem partido e não pedirá que o sigam.

Julian já antecipou que não sairá.

Ausência

Outra ausência sentida foi a do ex-deputado Rômulo Gouveia, de saudosa memória, que deu continuidade às tratativas do projeto de Campina com o Governo Federal, durante a gestão Temer, que tinha o presidente de seu partido PSD, Gilberto Kassab,como Ministro das Cidades.

Mensagem de Moro

Apesar de se abster do confronto direto, o ministro Sérgio Moro se surpreendeu com o número de “apoiamentos” à sua mensagem nas redes sociais, contra as provocações do ex-presidente Lula. Disse que não iria responder a “criminosos, presos ou soltos”.

Estratégia

Foi o suficiente para o Planalto acionar a estratégia do “contra-ponto” utilizando a popularidade pessoal do ex-juiz. Se der errado, basta suspender a idéia. Mas se começar a dar muito certo, pode fazer surgir um efeito colateral com uma onda ‘pró-Moro’ em 22.

Ainda mais se o STF anular as condenações contra Lula no caso do Tríplex, tornando-o novamente elegível.

Frase

"iiiihúúúú", grito de entusiasmo do presidente Bolsonaro no palco do evento em Campina Grande, ao encerrar o seu discurso, arrancando risos e aplausos da platéia.

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